Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Pausa

Volto em agosto.

Foto: Flickr.

Sábado, 27 de Junho de 2009

Meu destino é ser revista (2)

Quero retomar alguns pontos expostos por aqui, tentar fazer uma costura mais fina para ficar bem nesta humilde alfaiataria. Começo pelas capas das revistas desta semana, que devem ter gritado o famoso "Parem as máquinas!", na quinta, para mudar toda vitrine.

A solução metonímica da Veja não lembra outra vista por aqui? Pois é. Deu no Extra, do Rio. O caso é que, do mesmo modo como ocorreu na tragédia do voo da Air France, com a capa do Diário de S. Paulo, coube aos populares fugir do óbvio, da manchete com data de validade vencida (chamem o Procon!). Coincidência?

Já virou clichê dizer que os impressos precisam investir em contexto, interpretação, investigação, bla-bla-bla... right? O que suponho, além disso, e tomando como exemplo os populares, é um corte mais ousado no terno. Sem perder o vínculo com o fato, explorar recursos estilísticos e estéticos próprios do campo da arte.

A publicidade faz isso, só que anula o efeito de "estranhamento" do discurso estético numa retórica emocional, enquanto o jornalismo promove justamente o contrário -- busca um consenso racional, mas bem poderia servir-se de um manequim mais despudorado.

Provavelmente a maior notícia do ano até agora, a morte repentina de MJ, noticiada por um site de fofocas e repercutido via redes sociais, é sinal de que o hardnews pode não ser mais o core business -- pelo menos não do modo como vem sendo trabalhado-- dos jornais. Precisamos, claro, ir com calma para avaliar isso.

Linha na agulha
Tenho outro botão mal pregado nas peças anteriores. MJ era um poema concreto, traduzindo no corpo (forma) o ritmo da blackmusic. Cool até dizer chega! Por isso era um artista para ser visto e, nos anos 80, ser visto era ser visto na TV. Em sua morte, ele ao mesmo tempo em que prenuncia o fim do reinado da TV como espaço privilegiado de notícias e debates, já quase esgana no parto a internet!

Porém, reconheço que a TV ainda reina nos lares brasileiros e assim será por muito tempo. Não obstante, o que chamam de TV Digital -- que pouco tem a ver com a prima distante que funcionava a base de um tubo de raios catódicos e que emitia imagens "mosaicadas" que lhe davam uma característica "fria", segundo titio McLuhan--, prenuncia uma futura convergência. Solve et coagula.

Desfile
Do Oriente, nos chega outra fina especiaria. A "revolução verde" do Irã é sequência da vitória de Obama nas urnas e talvez um prognóstico de 2010 no Brasil. Estamos falando, claro, de comunicação e política.

Li hoje no Estadão sobre a resolução do governo do Estado para liberar o acesso de redes sociais nas repartições públicas. Em tese, a atitude abre as portas para a democracia na internet e a transparência. Mas também para fazer campanha no ciberespaço.

É bom não esquecer a política canhestra que coloca num mesmo palanque Sarney e Lula discursando contra a imprensa. Garantir a transparência e fiscalizar os poderes é o core business da alfaiataria. Ninguém faz um terno tão bem cortado.

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Nota bibliográfica: interessante comparar O Príncipe Eletrônico, em que o prof. Ianni analisa a política em função dos meios de comunicação de massa, com A Era da Intercomunicação, de Manuel Castells, que vaticina o que acontece hoje.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

The King is dead (2)

No reinado de Michael Jackson, as pessoas seguiam as mídias. Na era pós-MJ, são as mídias que seguem as pessoas. A inteligência coletiva nos ensinou lições e tanto nestas últimas semanas. De como uma ditadura pode ser corroída nas entranhas em uma dimensão incrivelmente maior e mais eficiente do que aquelas proporcionadas pelo fax no regime stalinista ou pelos "nanicos" no império dos generais no Brasil. De como o hardnews deixou de ser praia exclusiva para os veículos tradicionais.

Errei e insisti no erro titulando esses últimos posts. O certo seria The Queen is dead, e não é nenhuma tirada sem graça com a androgenia do artista. Me refiro a ela, que agoniza no canto da sala.

Um minuto de silêncio. O rei está vivo.

Reproduções: Calgary Sun, Calgary (Canadá), e Extra, Rio.

The King is dead

No auge de Michael Jackson, no começo dos anos 80, éramos seres de hábitos televisivos. Entre um jogo de taco na rua, uma pelada na praia e o "tráfico" de revistinhas de sacanagem, o que nos restava a não ser assistir TV?

A cobertura da morte de MJ nos mostra o quanto isso mudou. A TV ocupa hoje um espaço reduzido em nossas vidas, parece uma tia carola, chata pra burro. As coisas mais interessantes rolam na internet, onde conferimos informações atualizadas num formato dinâmico e multimidiático.

E o que sobra para os impressos?

Arrisco um palpite - e podem pedir minha cabeça numa bandeja de prata: há uma saída no flerte com a arte, a poesia, sem medo de ser criativo e, importante, sem perder o vínculo com o factual, que é a razão de ser do jornalismo.

A fórmula é velha, garanto. Mas produz resultados.

Reproduções: capas do The Virginian-Pilot, Norfolk (Va) e
RedEye, Chicago.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Questão de método

Nos caps 3 e 4 de Vida de Escritor, Gay Talese descreve seu método antiquado, pouco produtivo mas eficiente de trabalho. Consiste em burilar frases e parágrafos em um bloco de notas de folhas amarelas pautadas e depois datilografar, para correções intermináveis. (Borges dizia que publicava seus livros para dar cabo desse transtorno.)

O jornalista desistiu de acompanhar o ritmo de desatualização dos computadores, aos quais nunca se adaptou muito bem.(O Macintosh IIci que sobrevive em seu escritório não vai além da função de uma máquina de escrever.)

Tempo perdido
A escrita, porém, é uma etapa do processo. Ela é precedida pela pesquisa. Gastos de tempo e dinheiro com entrevistas, a maioria das quais pouco se aproveita. Alguns entrevistados precisam ser convencidos a falar e, depois de quilômetros percorridos, despesas com transporte e hospedagens, 80% do resultado obtido termina no cesto de lixo.

E com isso leva até mais de dez anos para concluir uma obra.
(...) é importante reconhecer que durante os quarenta anos de minha carreira como escritor-pesquisador eu investi pesadamente na perda de tempo." (p. 59).
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O tempo de maturação que as coisas pedem nos conduz, por vezes, a erros, frustrações e becos sem saída. Bons trabalhos são resultados de insistência, paciência e teimosia. Há um limite biológico e físico, uma espécie de velocidade de escape que nossa cabeça iluminista não consegue atingir para romper a estratosfera de Gutemberg.

Foto: Flickr.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Livro sobre assessoria de imprensa

O jornalista e escritor Rodrigo Capella publicou recentemente o livro Assessor de Imprensa – fonte qualificada para uma boa notícia, onde trata do difícil relacionamento entre profissionais que atuam em campos opostos - o assessor e o repórter. Diz o texto de apresentação da obra:
O assessor de imprensa ideal deve funcionar como uma extensão da redação, atendendo o jornalista sempre que este precisar. Para tanto, ele precisa conhecer o dia-a-dia dos veículos e saber, por exemplo, qual o melhor dia e horário para enviar uma sugestão de pauta. O assessor deve também passar as informações completas e corretas, pois o jornalista não tem muito tempo para checá-las. E por fim: não deve enviar jabás aos colegas de redação, não deve insistir na publicação de notícias e não deve recorrer à malandragem, ou seja, mentir para conseguir um espaço no jornal.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Michel Maffesoli em SP

Para quem estiver em São Paulo, imperdível a palestra do sociólogo francês Michel Maffesoli, professor da Sorbonne - Paris V, na quinta (25), às 16h, no auditório do Campus Monte Alegre, da PUC-SP. Ele tem diversos livros publicados no Brasil.