Num estudo clássico, Eichmann em Jerusalém, no qual cobria o julgamento do carrasco nazista, a filósofa alemã Hannah Arendt (1906-1975) cunhou a famosa expressão banalidade do mal. De acordo com ela, o nazista acusado de crimes de genocídio era apenas um burocrata que cumpria ordens e não tinha capacidade de julgar a dimensão ética de seus atos. As atitudes, para ele, seriam desprovidas de valores morais.Me parece conveniente lembrar Arendt para tentar entender o último escândalo político em Brasília. Flagrados por câmeras ocultas, os políticos respondem de modo padrão, negando fatos e agindo como se nada houvesse de errado em suas ações. É um comportamento explicável no contexto das Casas políticas - Executivo e Legislativo - que se tornaram balcões de negócios. O procedimento normal é receber verbas de empresas para a campanha e depois fraudar licitações para amealhar verbas públicas.
O que que neste caso parece novo é a oração que os funcionários públicos fazem depois da partilha. Kant dizia que Deus era uma espécie de artifício necessário para regularmos nossa conduta, um horizonte ético, por assim dizer. Esse Deus continua sendo uma fábula, só que agora atende a interesses pessoais ou dos "escolhidos". O mal está na mediocridade.
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Não vejo outra forma de mudar a política senão reforçando aquelas instâncias fiscalizadoras vilipendiadas pelo presidente. No caso do jornalismo, acredito que, fora dos grandes centros, seria preciso criar canais alternativos de financiamento (além dos tradicionais), para garantir a independência dos veículos no cumprimento de suas funções.Foto: Hermes.






