Outro tema que não sai de pauta nos sites dedicados à profissão (vejam nosso Linkem-se!) , congressos e aventos afins é o fim dos jornais impressos. Temos duas posições marcantes que remetem ao clássico debate entre apocalípticos e integrados, do livro homônimo de Umberto Eco. A turma com os dois pés no digital já decretou o óbito do impresso. Trata-se de uma tendência que vem dos EUA, que desponta na área de jornalismo na web e que tem arautos como o do publisher do New York Times, que recentemente decretou a eutanásia de uma das maiores instituições norte-americanas. E o melhor argumento que vi até agora é o do jornalista Robert Cauthorn, em entrevista publicada no Caderno Mais! da Folha. Ele refere-se ao custo logístico de um jornal impresso - corte de árvores, fabricação do papel, transporte de bobinas, gráfica, transporte dos jornais, distribuição... ufa! O on-line não tem nada disso, não é? Para esta corrente, o hábito de ler jornais de manhã, sujando os dedos de tinta e confortavelmente recostado na poltrona, está com os dias contados, na medida em que as tecnologias tornarem a leitura de telas mais cômoda. Estes são os apocalípticos (de um ponto de vista muito particular, é claro). Por outro lado, os integrados acreditam que tudo isso é uma grande bobagem. Lembram que foi dito a mesma coisa quando a TV chegou e que o jornalismo vai sobreviver a mais essa "onda". Quem melhor representa esta tendência por aqui é a turma do Dines, no Observatório da Imprensa. Vale a pena conferir.Podemos ainda identificar uma posição intermediária, que acredita que a versão impressa dos jornais vai sobreviver, mas reconfigurada, transformada, remixada em um formato mais personalizado e econômico. O fato é que o modelo impresso ainda é muito marcante, tanto que os principais jornais on-line do mundo disponibilizam versões PDF ou, as mais moderninhas, em Flash, que simula as páginas sendo folheadas com direito a som e tudo! A Tribuna entrou nessa de Flash recentemente. Quem quiser pode se cadastrar para ler de graça até o dia 30. A empresa responsável - VirtualPaper - é a mesma que fez a versão eletrônica do Jornal do Brasil, pioneiro na rede. É uma experiência muito interessante.
Bem, minha idéia sobre o assunto é que os jornais impressos vão acabar, sim, mas não no espaço de uma geração. Porque o que deve chegar ao fim é o hábito de ler no suporte papel, que tem um custo ecológico muito alto. Creio que as metáforas do impresso - telas que imitam o papel, os e-books da vida, por exemplo, além das versões dos jornais em Flash - são somente o primeiro passo. À medida que nossos filhos forem se conectando à rede, novos hábitos serão formados e o cérebro humano será, por uma prerrogativa evolutiva, "formatado" para mergulhar no ciberespaço, definitivamente.
Mas se um aluno me perguntar se por esta razão ele deve abandonar os órgãos-laboratoriais impressos, eu diria que não, lógico. Mas diria também que se ele não tiver a mínima noção do que seja o jornalismo na web, vai restringir sua carreira em escala exponencial.




2 comentários:
Hum... eu fico entre aqueles que assumiram a posição "intermediária". Não acho mesmo que vá acabar o jornal impresso... assim como o mundo não acabou como previu Nostradamus... É tudo adaptação. O homem se adapta a muitas coisas, assim como o meio se adapta ao homem, senão realmente ele se torna inútil e acaba abandonado por nós! Talvez, enquanto as tecnologias causarem dores de cabeça, o papel ainda faça parte fundamental de nossas vidas. Afinal, o papel não tem trojans, spywares, e tudo quanto é vírus que destrua nossos preciosos trabalhos... e quando ele chega, muitas vezes não tem escapatória, e adeus queridos arquivos salvos com tanto carinho!!! E não tem barreira de aço que aguente.
Sayonara!!!
Realmente, Mayumi, "letra morta" não fica doente, vírus é coisa de redes orgânicas. Somos parte de qual mundo mesmo??? Bjs.
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