sábado, 28 de abril de 2007

Jornais x internet

Jornais impressos da Baixada Santista não se adaptaram ao formato digital. Ou seja, os profissionais não sabem fazer jornalismo on-line de qualidade. Pelo menos é o que concluiu uma pesquisa feita por alunos do 2º ano do curso de Jornalismo da Unaerp-Guarujá, na disciplina de "Jornalismo On-line". Foram analisadas oito versões on-line de jornais impressos:

A Tribuna (Santos)
Costa Norte (Guarujá)
Estância de Guarujá (Guarujá)
A Voz do Litoral (Guarujá)
Gazeta do Litoral (Praia Grande)
Mirante de Peruíbe (Peruíbe)
Jornal da Baixada (Bertioga)
Jornal Comunitário (Cubatão)

E avaliados os seguintes elementos: usabilidade, multimidialidade e hipertextualidade, interatividade, blogs, atualização, fontes de informações e formatos de distribuição. Com exceção de "A Tribuna", que tem investido nesta área, todos os demais ainda não sabem como fazer jornalismo na web. Ou seja, as matérias não usam links ou recursos multimídia, a interatividade se resume a contatos por e-mail, desconhecem os blogs (ou em alguns casos, usam de forma desvirtuada) e possuem atualização deficiente, com matérias que chegam a ficar uma semana no site.

Taí uma boa oportunidade de aproximar universidade e mercado de trabalho.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Receita de blog

Os cursos de comunicação social da Unaerp-Guarujá se mobilizaram para fazer blogs criativos e interessantes. Defendi, em postagem anterior (no Laranja Mecânica) alguns ingredientes básicos desta nova iguaria midiática. Acrescente o toque final: crie polêmica!

O Blog do Guilherme Novaes apostou do diferencial de fazer a cobertura do futebol de várzea, atendendo dois princípios básicos das micromídias e do jornalismo cidadão: a independência e a regionalização das notícias. Mas foi além, lançando uma campanha para criar um hino para a ADG (Associação Desportiva do Guarujá), argumentando que time sem hino é time sem identidade.
Nesta semana, provocou (no bom sentido) a comunidade virtual "Guarujá em Debate", no Orkut, que até hoje tinha 17 comentários. A campanha ganhou visibilidade, envolvendo políticos e um jornal da cidade. Surgiu até o primeiros candidado a compositor do tal hino do clube.

Taí um belo exemplo uso tático de mídias digitais. Para ser servido quente!

domingo, 15 de abril de 2007

Fim do jornal (de novo?)

Outro tema que não sai de pauta nos sites dedicados à profissão (vejam nosso Linkem-se!) , congressos e aventos afins é o fim dos jornais impressos. Temos duas posições marcantes que remetem ao clássico debate entre apocalípticos e integrados, do livro homônimo de Umberto Eco. A turma com os dois pés no digital já decretou o óbito do impresso. Trata-se de uma tendência que vem dos EUA, que desponta na área de jornalismo na web e que tem arautos como o do publisher do New York Times, que recentemente decretou a eutanásia de uma das maiores instituições norte-americanas. E o melhor argumento que vi até agora é o do jornalista Robert Cauthorn, em entrevista publicada no Caderno Mais! da Folha. Ele refere-se ao custo logístico de um jornal impresso - corte de árvores, fabricação do papel, transporte de bobinas, gráfica, transporte dos jornais, distribuição... ufa! O on-line não tem nada disso, não é? Para esta corrente, o hábito de ler jornais de manhã, sujando os dedos de tinta e confortavelmente recostado na poltrona, está com os dias contados, na medida em que as tecnologias tornarem a leitura de telas mais cômoda. Estes são os apocalípticos (de um ponto de vista muito particular, é claro). Por outro lado, os integrados acreditam que tudo isso é uma grande bobagem. Lembram que foi dito a mesma coisa quando a TV chegou e que o jornalismo vai sobreviver a mais essa "onda". Quem melhor representa esta tendência por aqui é a turma do Dines, no Observatório da Imprensa. Vale a pena conferir.
Podemos ainda identificar uma posição intermediária, que acredita que a versão impressa dos jornais vai sobreviver, mas reconfigurada, transformada, remixada em um formato mais personalizado e econômico. O fato é que o modelo impresso ainda é muito marcante, tanto que os principais jornais on-line do mundo disponibilizam versões PDF ou, as mais moderninhas, em Flash, que simula as páginas sendo folheadas com direito a som e tudo! A Tribuna entrou nessa de Flash recentemente. Quem quiser pode se cadastrar para ler de graça até o dia 30. A empresa responsável - VirtualPaper - é a mesma que fez a versão eletrônica do Jornal do Brasil, pioneiro na rede. É uma experiência muito interessante.
Bem, minha idéia sobre o assunto é que os jornais impressos vão acabar, sim, mas não no espaço de uma geração. Porque o que deve chegar ao fim é o hábito de ler no suporte papel, que tem um custo ecológico muito alto. Creio que as metáforas do impresso - telas que imitam o papel, os e-books da vida, por exemplo, além das versões dos jornais em Flash - são somente o primeiro passo. À medida que nossos filhos forem se conectando à rede, novos hábitos serão formados e o cérebro humano será, por uma prerrogativa evolutiva, "formatado" para mergulhar no ciberespaço, definitivamente.
Mas se um aluno me perguntar se por esta razão ele deve abandonar os órgãos-laboratoriais impressos, eu diria que não, lógico. Mas diria também que se ele não tiver a mínima noção do que seja o jornalismo na web, vai restringir sua carreira em escala exponencial.

Blogosfera 2

Os blogs estão mudando a cara do jornalismo. Eles são uma das maiores expressões das chamadas micromídias ou mídias magras e do jornalismo cidadão, participativo e/ou open source. Tornaram-se um dos maiores atrativos dos portais noticiosos e jornais on-line. Fazem a vez dos articulistas dos jornais, só que numa linguagem mais leve e com recursos de multimidialidade (possibilidade de incluir fotos, vídeos, áudio) e interatividade, com o comentário e discussão de leitores. Temas como responsabilidade, ética, objetividade e liberdade de expressão envolvendo os blogs vem sendo discutidos diariamente pela profissão. Defendo que fazer um blog, com seriedade, é um exercício fundamental para alunos de jornalismo.
Temos dois novos blogs que quero comentar: o blog do Guilherme e o Espaço Cultural, da Patrícia. Eles atendem um requisito que considero básico neste ramo, que é ter uma temática definida (e permanecer fiel a ela e, assim, ao seu leitor) e um grande diferencial em vista: assuntos regionais, que correm à margem da grande mídia. No caso do Guilherme, a proposta é cobrir campeonatos locais, com direito a campanha em prol de um time sem hino. Já a Patrícia se propõe a divulgar o teatro amador e fazer críticas. São também dois candidatos ao projeto "Jornal do Ponto On-line", que está em fase de programação.
Bloguem-se!

sábado, 7 de abril de 2007

Jornalismo Cidadão

Jornalismo cidadão é a experiência de pessoas sem treinamento específico na área que utilizam tecnologias digitais para produzir e distribuir conteúdos noticiosos de forma independente ou em colaboração com profissionais.
O conceito compreende desde a participação do leitor em matérias (por e-mail, fóruns, listas de discussão, etc), o envio de fotos e vídeos para jornais, postagens em blogs e a edição de material noticioso em sites.
Um vídeo do protesto de alunos em uma faculdade do interior no Youtube. Um blog que faz a cobertura de campeonatos regionais, que geralmente têm pouco ou nenhum espaço na mídia. Fotos exclusivas - por celular - de testemunhas de tragédias. Tudo isso e mais o fato de que o leitor na Internet, com acesso a fontes diferentes de informações, é potencialmente mais crítico e participativo.
Gostemos ou não, o jornalismo cidadão é um fenômeno mundial, como o sul-coreano OhMyNews, com 50 mil amadores do mundo todo enviando material, checado por profissionais, e o norte-americano Digg, cujos usuários (140 mil registrados) selecionam e editam notícias de sites e blogs.
Mas sobram os questionamentos. E o jornalista profissional, como fica nesssa história? E a obrigatoriedade do diploma? E o rigor na apuração dos fatos e a objetividade na produção de notícias? (ah, ah, ah, adoro isso!)
O que me interessa é seguinte: imagine um projeto envolvendo universidade e uma ONG de inclusão digital em uma comunidade pobre. A ONG entraria com capacitação em informática, enquanto alunos do curso de jornalismo forneceriam técnicas de redação e reportagem para os jovens inscritos no projeto. O objetivo seria fazer blogs para divulgar, por exemplo, grupos de rap e cooperativas de artesãos. Mais do que isso, revelar o olhar daquela comunidade, que escapa aos releases de assessorias de imprensa, "colunões" de jornais e boletins de ocorrência. A revolução não será televisionada. Será blogada!

Saiba mais em: "Jornalismo Cidadão: você faz a notícia". Livro muito bacana, que vale a pena imprimir e encadernar (48 ps). A palestra de Armando Pereira (UOL), que também comenta o assunto, está no GREMID.
Alguns sites de jornalismo cidadão no Brasil:

FotoRepórter do Estadão: permite envio de fotos por e-mail ou celular. Caso sejam publicadas, o autor recebe.
LanceActivo do Lance! Uma das experiências mais interessantes em jornais, permite envio de textos, comentários, fotos e vídeos.
Vc repórter do portal Terra. Envio de textos, fotos, vídeo e áudio por e-mail e celular.
Minha Notícia do portal IG. Envio de textos e imagens.
Wikinotícias Programa open source (código aberto) em que o usuário produz e edita as notícias.
Overmundo Site colaborativo onde o usuário produz conteúdo, vota e edita. Mantido com verba pública e voltado para a área cultural.
Rec6 - No estilo Digg, usuário envia notícias e vota. As mais votadas viram manchetes. Com editorias específicas (tecnologia, negócios, etc.)

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