Ser repórter é isso aí.
Uma vez o jornal mandou dois jornalistas na cobertura de um evento em que estava o então governador Geraldo Alckmin (PSDB).
Nenhum dos dois interessados no evento. Um repórter era de política e foi tirar uma declaração sobre alianças políticas. O outro era eu. Fui só para fazer uma pergunta sobre um escândalo envolvendo a cúpula da Polícia Civil.
Aturei todo cerimonial e discursos políticos até onde deu. Num belo exemplo de falta de profissionalismo, e já de saco cheio, fui tomar caipirinha com o motorista do jornal. E não é que bem nessa hora o governador é cercado pela imprensa?
Quando finalmente consegui chegar com o gravador (a até aí já tinha tomado safanão de cinegrafista da Band e microfone da Globo no rabo), o governador, já pê da vida com a história, me saiu com essa: "já comentei sobre isso" e até logo.
Com a faca no pescoço
Chegando na redação, o jornal da Globo dá aquela informação que fui apurar e voltei sem nada.
O editor-chefe me olhou com aquela cara de "vai passando a vaselina".
Pois em menos de 10 minutos, com no máximo três telefonemas, consegui não somente sair do prejuízo como dar um furo de reportagem na manchete do dia seguinte. Gênio? Que nada. Pura sorte, somente isso.
No lugar certo. Na hora certa
A cobertura políticas das últimas duas semanas vai ser um marco no jornalismo brasileiro. A manchete da Folha de hoje é exemplo disso.
No último domingo, afirmei que a revelação do ombudsman de que o jornal tinha informações sobre os emails trocados entre os ministros do STF e não deu, tomando furo d'O Globo, configurava um caso de autocensura.
Hoje a Folha sacudiu a poeira e deu a volta por cima. A repórter Vera Magalhães flagrou o ministro Ricardo Lewandowski, horas depois da sessão no STF, em um restaurante de Brasília, em conversa no celular comentando os bastidores do julgamento.
A repórter estava em uma das mesas do restaurante, a menos de cinco metros do ministro, segundo o jornal.
Divulgou o conteúdo, de interesse público. Acertou.
Ser repórter é isso aí.
Leiam também
Coluna do Josias de Souza e comentários do Observatório da Imprensa sobre a manchete de hoje na Folha.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
domingo, 26 de agosto de 2007
Autocensura: o caso Folha
Em 1961, o New York Times decidiu não publicar informações sobre os planos da CIA para a invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, sob o pretexto de não colocar em risco a segurança nacional.
A decisão de um dos mais influentes jornais do mundo é contada por Gay Talese em O Reino e o Poder.
Hoje, em sua coluna dominical na Folha, o ombudsman Mário Magalhães revelou que a reportagem teve informações sobre a troca de e-mails entre os ministros do STF, publicada com exclusividade pelo Globo no último dia 23 (Voto combinado na rede), e que decidiu não publicar a matéria. Um erro histórico, na avaliação do ombudsman.
Deixando um pouco de lado o foco na discussão sobre público x privado (a matéria do Globo também foi debatida pelo ombudsman do IG, Observatório da Imprensa e , sob outro aspecto, hoje por Sílvio Meira), pergunta-se: se outros jornalistas tiveram acesso às informações, por que consideraram irrelevantes para o leitor?
Autocensura
Não estou afirmando que, no caso da Folha, assim como no NYT, tenha havido uma clara decisão pela autocensura, mas que em ambos os casos - guardadas suas diferenças - tivemos um episódio de autocensura jornalística.
Autocensura é pior que a própria censura. Ela ocorre quando, por medo de represálias, deixamos de exercer nossa função e ocultamos informações do público.
Aula
Esse assunto é discutido por Bernardo Kucinski em A Síndrome da Antena Parabólica. O texto está na copiadora, peguem para discutirmos na próxima aula.
Boa semana a todos!
A decisão de um dos mais influentes jornais do mundo é contada por Gay Talese em O Reino e o Poder.
Hoje, em sua coluna dominical na Folha, o ombudsman Mário Magalhães revelou que a reportagem teve informações sobre a troca de e-mails entre os ministros do STF, publicada com exclusividade pelo Globo no último dia 23 (Voto combinado na rede), e que decidiu não publicar a matéria. Um erro histórico, na avaliação do ombudsman.
Deixando um pouco de lado o foco na discussão sobre público x privado (a matéria do Globo também foi debatida pelo ombudsman do IG, Observatório da Imprensa e , sob outro aspecto, hoje por Sílvio Meira), pergunta-se: se outros jornalistas tiveram acesso às informações, por que consideraram irrelevantes para o leitor?
Autocensura
Não estou afirmando que, no caso da Folha, assim como no NYT, tenha havido uma clara decisão pela autocensura, mas que em ambos os casos - guardadas suas diferenças - tivemos um episódio de autocensura jornalística.
Autocensura é pior que a própria censura. Ela ocorre quando, por medo de represálias, deixamos de exercer nossa função e ocultamos informações do público.
Aula
Esse assunto é discutido por Bernardo Kucinski em A Síndrome da Antena Parabólica. O texto está na copiadora, peguem para discutirmos na próxima aula.
Boa semana a todos!
sábado, 25 de agosto de 2007
Inercom 2007 em Santos
A partir da próxima quarta-feira (dia 29), Santos sedia o XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2007), o mais importante evento em comunicação da América Latina. O tema deste ano é "Mercado e Comunicação na Sociedade Digital".
Segundo a associação, são esperada 4 mil pessoas para o congresso, que acontece nos campi da Unisantos, Unisanta e Unimonte. Serão cinco dias de evento, de quarta a domingo (dia 2).
Na quarta ocorre a cerimônia de abertura. Quinta e sexta, oficinas, palestras e lançamentos de livros.
Recomendo aos alunos de jornalismo aproveitar o final de semana, quando acontecem os Núcleos de Pesquisa, em que são apresentados trabalhos acadêmicos.
Blogs, mídias móveis, fotografia digital, web 2.0, Second Life e jornalismo online estão em pauta (confira a programação completa).
Assessoria
No domigo, o NP Jornalismo Digital: a Notícia Imaterial traz um trabalho interessante sobre assessoria de imprensa na web: Sala de imprensa virtual: ferramenta poderosa no relacionamento com a mídia, da minha colega, a professora Ana Paula.
No mesmo dia, o blogueiro que vos fala apresenta um trabalho sobre Mídias Modulares (saiba mais no Laranja).
Balzaquiano
O primeiro congresso foi realizado em 1978, há 30 anos portanto, com o tema “Ideologia e Poder no Ensino de Comunicação”, e 43 participantes.
Quem vai? Eu vô!
Segundo a associação, são esperada 4 mil pessoas para o congresso, que acontece nos campi da Unisantos, Unisanta e Unimonte. Serão cinco dias de evento, de quarta a domingo (dia 2).
Na quarta ocorre a cerimônia de abertura. Quinta e sexta, oficinas, palestras e lançamentos de livros.
Recomendo aos alunos de jornalismo aproveitar o final de semana, quando acontecem os Núcleos de Pesquisa, em que são apresentados trabalhos acadêmicos.
Blogs, mídias móveis, fotografia digital, web 2.0, Second Life e jornalismo online estão em pauta (confira a programação completa).
Assessoria
No domigo, o NP Jornalismo Digital: a Notícia Imaterial traz um trabalho interessante sobre assessoria de imprensa na web: Sala de imprensa virtual: ferramenta poderosa no relacionamento com a mídia, da minha colega, a professora Ana Paula.
No mesmo dia, o blogueiro que vos fala apresenta um trabalho sobre Mídias Modulares (saiba mais no Laranja).
Balzaquiano
O primeiro congresso foi realizado em 1978, há 30 anos portanto, com o tema “Ideologia e Poder no Ensino de Comunicação”, e 43 participantes.
Quem vai? Eu vô!
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Em off
"Sabe que tenho uma experiência interessante com legislativo, antes e depois de ser jornalista. Depois de ser jornalista é mais fácil, eu faço cobertura e tenho uma coluna de política, estou (quase) sempre nas sessões da Câmara. A anterior é mais engraçada.
Em 1992 eu era presidente do DCE da xxx e um dia fomos à Câmara acompanhar a votação de um projeto sobre a lei da meia entrada, que seria criada em xxx.
Acontece que os caras suspenderam a sessão para receber o Dom Bertrand de Orleans e Bragança, aquele v... velho da TFP, trineto de D. Pedro II e que, no plebiscito de 1993, se fosse aprovada a monarquia, assumiria o 'trono' do Brasil (felizmente, o único trono que ele pode assumir é o do banheiro).
Daí ficamos f... (estávamos em mais de 100), achando que os caras estavam encerrando a sessão e não votariam mais nada naquele dia para receber o mala da TFP. Então ficamos aplaudindo para impedir o v... velho de falar e, consequentemente, o presidente da Câmara mandou 'evacuar as galerias', expulsando a gente do recinto.
Entendemos isso como um ato autoritário. Hoje, sei que os caras 'suspendem' a sessão por tempo determinado para abrir a palavra a alguém que não seja vereador e depois retomam a ordem do dia, ou a pauta de votações.
Conto essa pequena e pitoresca história porque acho ela simbólica de como a galera não está acostumada com o funcionamento de uma casa legislativa."
Notas de aula
Trabalhos de Comunicação e Política: Amanda (1,5), Caio (1,0) Gláucia (0,5) Mayumi (1,5) e Patrícia (1,0).
Dica de leitura
"A Tirania da Comunicação", de Ignácio Ramonet (cópia no Gremid).
"Jornalismo Político", de Franklin Martins (cópia na xérox da facul).
Em 1992 eu era presidente do DCE da xxx e um dia fomos à Câmara acompanhar a votação de um projeto sobre a lei da meia entrada, que seria criada em xxx.
Acontece que os caras suspenderam a sessão para receber o Dom Bertrand de Orleans e Bragança, aquele v... velho da TFP, trineto de D. Pedro II e que, no plebiscito de 1993, se fosse aprovada a monarquia, assumiria o 'trono' do Brasil (felizmente, o único trono que ele pode assumir é o do banheiro).
Daí ficamos f... (estávamos em mais de 100), achando que os caras estavam encerrando a sessão e não votariam mais nada naquele dia para receber o mala da TFP. Então ficamos aplaudindo para impedir o v... velho de falar e, consequentemente, o presidente da Câmara mandou 'evacuar as galerias', expulsando a gente do recinto.
Entendemos isso como um ato autoritário. Hoje, sei que os caras 'suspendem' a sessão por tempo determinado para abrir a palavra a alguém que não seja vereador e depois retomam a ordem do dia, ou a pauta de votações.
Conto essa pequena e pitoresca história porque acho ela simbólica de como a galera não está acostumada com o funcionamento de uma casa legislativa."
Notas de aula
Trabalhos de Comunicação e Política: Amanda (1,5), Caio (1,0) Gláucia (0,5) Mayumi (1,5) e Patrícia (1,0).
Dica de leitura
"A Tirania da Comunicação", de Ignácio Ramonet (cópia no Gremid).
"Jornalismo Político", de Franklin Martins (cópia na xérox da facul).
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Novo visual
A imprensa brasileira está mais integrada às novas mídias e mais interativa. A reformulação dos sites da Folha Online e Estadão trouxe mais leveza no design, disponibilização de conteúdo, serviços e ferramentas para o usuário. Vídeos, podcasts e blogs provam que o jornal impresso é, hoje, um veículo híbrido.O Estadão, apesar da polêmica campanha contra blogs, tem mais cara de web 2.0, com personalização (meu Estadão), nuvem de tags e mapas. Por outro lado, as empresas ainda são tímidas em experimentos com hipertextos e jornalismo colaborativo.
O jornal ficou mais dinâmico. O jornalista também dispõe de mais recursos, como base de dados e dispositivos móveis (sobre esse assunto, leiam o interessante trabalho do professor Fernando Firmino da Silva), para apurar e produzir matérias.
O leitor, com mais acesso a fontes de informação e maior possibilidade de participação e colaboração na produção de notícias.
A questão é: o leitor está mais bem informado?
domingo, 19 de agosto de 2007
Ombudsman
Jornalista tem que ler jornal, de preferência antes do café. No domingo, começo a leitura pela crítica do ombudsman da Folha.
Para quem está começando na profissão, são aulas de jornalismo.
Na crítica de hoje, Mário Magalhães fala do repórter que sai com uma pauta que, no caminho, "vira" de uma forma não prevista ou simplesmente cai e é substituída por outra, mais quente. Tem aquela velha lenda - alguns juram que é real - do repórter que foi cobrir a inauguração de uma ponte e voltou sem matéria. O que houve? A ponte caiu. Parece brincadeira, mas acontece.
Pauta, como lembra o ombudsman, é um roteiro que pode ser mudado. Na Academia, outra anedota é exemplar: Se os fatos não corroboram com a teoria, pior pra eles, a teoria está correta. Parece brincadeira, mas também acontece.
Os fatos nem sempre se ajustam às nossas previsões. Por isso é preciso estar atento, ter feeling pra notícia e também estar bem informado.
Fontes
No caso analisado por Magalhães, uma equipe foi para uma entrevista na delegacia e flagrou uma suposta cena de tortura. O que fizeram repórter e fotógrafo? Esqueceram a pauta e registraram o flagrante. Era o correto. Sabemos que esse tipo de coisa acontece, é quase uma rotina, mas não é normal. É notícia. É obrigação nossa dar a matéria. É nosso papel.
Tinha um colega de profissão que trabalhava em rádio que presenciava esse tipo de coisa devido a uma relação muito próxima - promíscua - com a fonte. Uma cumplicidade criminosa. Infelizmente, isso acontece. Não deveria.
Outras leituras
Para a semana, os blogs de Tereza Rangel (UOL) e Mario Vitor Santos (IG) trazem críticas diárias dos portais.
Mais leituras
Com o título "Democracia não sobe morro", O Globo iniciou hoje a publicação de uma série de reportagens em que compara a situação dos morros no Rio de Janeiro com o período da ditadura militar (1964-1985). Para ler, basta fazer cadastro. Boa pauta!
Para quem está começando na profissão, são aulas de jornalismo.
Na crítica de hoje, Mário Magalhães fala do repórter que sai com uma pauta que, no caminho, "vira" de uma forma não prevista ou simplesmente cai e é substituída por outra, mais quente. Tem aquela velha lenda - alguns juram que é real - do repórter que foi cobrir a inauguração de uma ponte e voltou sem matéria. O que houve? A ponte caiu. Parece brincadeira, mas acontece.
Pauta, como lembra o ombudsman, é um roteiro que pode ser mudado. Na Academia, outra anedota é exemplar: Se os fatos não corroboram com a teoria, pior pra eles, a teoria está correta. Parece brincadeira, mas também acontece.
Os fatos nem sempre se ajustam às nossas previsões. Por isso é preciso estar atento, ter feeling pra notícia e também estar bem informado.
Fontes
No caso analisado por Magalhães, uma equipe foi para uma entrevista na delegacia e flagrou uma suposta cena de tortura. O que fizeram repórter e fotógrafo? Esqueceram a pauta e registraram o flagrante. Era o correto. Sabemos que esse tipo de coisa acontece, é quase uma rotina, mas não é normal. É notícia. É obrigação nossa dar a matéria. É nosso papel.
Tinha um colega de profissão que trabalhava em rádio que presenciava esse tipo de coisa devido a uma relação muito próxima - promíscua - com a fonte. Uma cumplicidade criminosa. Infelizmente, isso acontece. Não deveria.
Outras leituras
Para a semana, os blogs de Tereza Rangel (UOL) e Mario Vitor Santos (IG) trazem críticas diárias dos portais.
Mais leituras
Com o título "Democracia não sobe morro", O Globo iniciou hoje a publicação de uma série de reportagens em que compara a situação dos morros no Rio de Janeiro com o período da ditadura militar (1964-1985). Para ler, basta fazer cadastro. Boa pauta!
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Anotações de aula
Trabalho (1)- Pesquisa em Comunicação
Apresentação de Tema e Definição do Problema (14/08)
Valor - 1,0 ponto
Amanda Ok (por email)
Alexsander ñ
Caio ñ
Gláucia ñ
Gustavo Ok
Jairo Ok
Karina Ok
Mayumi Ok
Patrícia Ok
Sinomar ñ
Não esqueçam hoje a análise de editorias de política dos jornais regionais. E a aula de RAC está imperdível.
Abs
Apresentação de Tema e Definição do Problema (14/08)
Valor - 1,0 ponto
Amanda Ok (por email)
Alexsander ñ
Caio ñ
Gláucia ñ
Gustavo Ok
Jairo Ok
Karina Ok
Mayumi Ok
Patrícia Ok
Sinomar ñ
Não esqueçam hoje a análise de editorias de política dos jornais regionais. E a aula de RAC está imperdível.
Abs
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Infográficos
Infográficos são técnicas que combinam textos, som, imagens animadas, vídeos, gráficos e desenhos para dar um tratamento mais dinâmico, interativo e atraente às informações. Principalmente quando se tratam de dados estatísticos. Com o advento da web 2.0, o uso de programas de animação, editores de gráficos e mashups, a coisa ficou muito mais interessante. O Master Digital analisou e foi preciso ao afirmar que o infográfico do acidente da TAM feito pelo El Pais, apesar de conter alguns erros de informação, é um dos melhores já vistos recentemente. Voltaremos a esse assunto.
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Muito além do repórter policial
O L.A. Times, um dos principais jornais do EUA, inovou na cobertura policial com o emprego de base de dados e Google Earth para construir um mapa interativo dos homicídios ocorridos na cidade desde o começo do ano.
O projeto estreou no último dia 10 e consiste em uma interface visual e interativa do blog Homicide Report (algo como Notícias de Homicídios), da repórter policial Jill Leovy.
Isso mesmo! Um blog atualizado semanalmente com o objetivo de fazer a crônica de cada assassinato ocorrido em LA desde o começo do ano, dando um rosto e uma história ao números frios das estatísticas policiais (foram 515 mortes até a semana passada).
A intenção do Homicide Report, segundo a própria jornalista, é dar visibilidade a homicídios que frequentemente são ignorados pelo noticiário e desconhecidos pelo público. A própria polícia não tinha a rotina de passar esses dados à imprensa.
Mapa
A idéia do mapa partiu de um leitor, o professor e neurocientista da USC (University of SouthernCalifornia), Michael Quick. O mapa é alimentado com dados oficiais e da reportagem. Clicando nos pontos marcados, pode-se ver a foto com dados da vítima e um link para a postagem do blog referente àquele assassinato.
Na busca, o usuário pode fazer uma pesquisa por nome, local - incluindo homicídios ocorridos próximos de um endereço ou código postal - e data, além de filtros para idade, raça, gênero e causa da morte.
Raio X
Os dados permitem traçar um perfil das vítimas - negras e latinas em sua maioria - e das mortes, que ocorrem no verão e nos finais de semana, por tiros e apenas 5% dentro de residências.
Penso em como a publicação do banco de dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a partir de 95, ajudou a mudar o perfil do repórter policial, que passou a trabalhar com mais precisão e objetividade, pensando menos em sangue e mais em políticas de segurança pública. Mas, por outro lado, que fireza e chatisse tantos números e porcentagens! A LA Times mostrou que, com pouco investimento e muita criatividade e boa vontade, a cobertura policial pode ser renovada. O leitor agradece.
O projeto estreou no último dia 10 e consiste em uma interface visual e interativa do blog Homicide Report (algo como Notícias de Homicídios), da repórter policial Jill Leovy.
Isso mesmo! Um blog atualizado semanalmente com o objetivo de fazer a crônica de cada assassinato ocorrido em LA desde o começo do ano, dando um rosto e uma história ao números frios das estatísticas policiais (foram 515 mortes até a semana passada).
A intenção do Homicide Report, segundo a própria jornalista, é dar visibilidade a homicídios que frequentemente são ignorados pelo noticiário e desconhecidos pelo público. A própria polícia não tinha a rotina de passar esses dados à imprensa.
Mapa
A idéia do mapa partiu de um leitor, o professor e neurocientista da USC (University of SouthernCalifornia), Michael Quick. O mapa é alimentado com dados oficiais e da reportagem. Clicando nos pontos marcados, pode-se ver a foto com dados da vítima e um link para a postagem do blog referente àquele assassinato.
Na busca, o usuário pode fazer uma pesquisa por nome, local - incluindo homicídios ocorridos próximos de um endereço ou código postal - e data, além de filtros para idade, raça, gênero e causa da morte.
Raio X
Os dados permitem traçar um perfil das vítimas - negras e latinas em sua maioria - e das mortes, que ocorrem no verão e nos finais de semana, por tiros e apenas 5% dentro de residências.
Penso em como a publicação do banco de dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a partir de 95, ajudou a mudar o perfil do repórter policial, que passou a trabalhar com mais precisão e objetividade, pensando menos em sangue e mais em políticas de segurança pública. Mas, por outro lado, que fireza e chatisse tantos números e porcentagens! A LA Times mostrou que, com pouco investimento e muita criatividade e boa vontade, a cobertura policial pode ser renovada. O leitor agradece.
sábado, 11 de agosto de 2007
Estadão contra os blogs
A campanha promovida esta semana pelo Estadão contra os blogueiros gerou uma onda de protestos na blogosfera (ver Rec6, Brainstorm9, Interney, Quero Ter um Blog e Eduflabs). Pegou mal. O mote dos anúncios, criados pela Talent, é a suposta falta de credibilidade dos blogs, que não teriam o compromisso das mídias "sérias", como o vetusto jornal.Vivemos uma época de transição, cuja dimensão é muito maior que uma briga pela manutenção de monopólios da informação. É algo sem precedentes desde a invenção do titio Gutemberg. E, até que essas placas tectônicas se assentem, a terra vai continuar a tremer.
É tão difícil admitir que o jornalista sabe menos que as pessoas comuns? Conselho de redação: não brigue com os fatos.
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Anotações de aula
Alguns sites de referência em RAC (Reportagem com Auxílio do Computador):
Bom final de semana!
- Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo)
- NICAR (National Institute for Computer-Assisted Reporting)
- Computer-Assisted Reporting Research Project (University of Miami)
- Outros links e bibliografia no Poynter Institute
Bom final de semana!
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Apertadores de parafusos
Caraaaaaca, meu! Leiam esse texto (Esqueçam o velho jornalismo) que a Tais Laporta publicou hoje no Digestivo Cultural! É a minha ladainha em sala de aula, com direito ao meu bordão "apertadores de parafusos".
Beijão, Tais!
Beijão, Tais!
Bastidores (Off the Records)
Essa me foi contada por um brother de infância. Aconteceu em uma faculdade do interior de SP.
"Eu tinha uma aluna de 5º período que sabia fazer lide, identificava a notícia, tinha senso de repórter, mas... Fiz uma prova para eles embaralhando textos jornalísticos e pedi aos alunos que hierarquizassem as informações, restabelecendo a pirâmide invertida. Era um texto sobre política externa. E a menina, no meio da prova, começou a perguntar se a Índia ficava na América do Sul, se a China ficava na América Latina, se a Rússia ficava na América e qual a diferença entre América Latina e do Sul. Obviamente, ela foi a última a deixar a sala. E no fim da prova, quando estávamos sozinhos, saiu com essa:
- Professor, tenho umas dúvidas sobre Geografia.
- É sobre geopolítica?
- Sim, geopolítica.
- Qual é a dúvida?
- Professor, onde fica a Europa?
- Como assim onde fica a Europa?
- Onde fica a Europa, ué?
- Tu já jogastes War?
- "War"?
- Deixa prá lá.
Comecei a desenhar o mapa-múndi no quadro (dentro das minhas possibilidade de desenho) e fui mostrando. A Europa é aqui, o Iraque fica por aqui, aqui China, aqui Japão...
- Mas o Japão fica perto da China?
- Tu nunca reparastes que chineses e japoneses têm olhos puxados e são amarelos?
- Ah.....
No semestre seguinte eu resolvi parar uma aula (de "Técnicas de Reportagem") para discutir geopolítica e história do século XX com essa turma. Para isso separei o primeiro capítulo de A Era dos Extremos, do Hobsbawn e um filme chamado Nação do Medo, um verdadeiro exercício de geopolítica, filme que parte da hipótese de que a Alemanha nazista não teria sido derrotada na II Guerra, o que geraria uma tripolariade, com blocos soviético, norte-americano e nazista. Passando o filme, uma outra aluna ouviu um diálogo no qual um personagem dizendo que o fulano foi pego na cama pela Gestapo e saiu com essa:
- Professor, a Gestapo é uma mulher?"
"Eu tinha uma aluna de 5º período que sabia fazer lide, identificava a notícia, tinha senso de repórter, mas... Fiz uma prova para eles embaralhando textos jornalísticos e pedi aos alunos que hierarquizassem as informações, restabelecendo a pirâmide invertida. Era um texto sobre política externa. E a menina, no meio da prova, começou a perguntar se a Índia ficava na América do Sul, se a China ficava na América Latina, se a Rússia ficava na América e qual a diferença entre América Latina e do Sul. Obviamente, ela foi a última a deixar a sala. E no fim da prova, quando estávamos sozinhos, saiu com essa:
- Professor, tenho umas dúvidas sobre Geografia.
- É sobre geopolítica?
- Sim, geopolítica.
- Qual é a dúvida?
- Professor, onde fica a Europa?
- Como assim onde fica a Europa?
- Onde fica a Europa, ué?
- Tu já jogastes War?
- "War"?
- Deixa prá lá.
Comecei a desenhar o mapa-múndi no quadro (dentro das minhas possibilidade de desenho) e fui mostrando. A Europa é aqui, o Iraque fica por aqui, aqui China, aqui Japão...
- Mas o Japão fica perto da China?
- Tu nunca reparastes que chineses e japoneses têm olhos puxados e são amarelos?
- Ah.....
No semestre seguinte eu resolvi parar uma aula (de "Técnicas de Reportagem") para discutir geopolítica e história do século XX com essa turma. Para isso separei o primeiro capítulo de A Era dos Extremos, do Hobsbawn e um filme chamado Nação do Medo, um verdadeiro exercício de geopolítica, filme que parte da hipótese de que a Alemanha nazista não teria sido derrotada na II Guerra, o que geraria uma tripolariade, com blocos soviético, norte-americano e nazista. Passando o filme, uma outra aluna ouviu um diálogo no qual um personagem dizendo que o fulano foi pego na cama pela Gestapo e saiu com essa:
- Professor, a Gestapo é uma mulher?"
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Leituras
Uma dica de leitura, para os colegas do último ano que escrevem monografias na área de jornalismo impresso e digital, é o lançamento da tradução em português do já clássico "The Vanishing Newspapers: Saving Journalism in the Information Age", do jornalista Phillip Meyer, traduzido como "Os Jornais Podem Desaparecer?" (leia aqui sumários e trechos disponibilizados pela Contexto). Indispensável!Para quem se arrisca no inglês, não deixe de conferir o recente "Journalism 2.0: How to Survive and Thrive" (Jornalismo 2.0: Como Sobreviver e Prosperar), de Mark Briggs, disponível para download free aqui.
Aviso aos colegas do segundo ano que os planos de ensino das disciplinas e o modelo de projeto de pesquisa já subiram para o Gremid e foram replicados em pastas na copiadora ("Vovô cantou pra subir quando o dia clareou...").
É isso.
domingo, 5 de agosto de 2007
Coincidências
Esse friozinho danado pede para que fiquemos em casa, debaixo do cobertor, comendo e vendo TV.Que coisa.
No sábado assisti Idiocracy (2006). O filme pode não ser lá essas coisas, mas a história é muito interessante: um sujeito é congelado em uma experiência militar e acorda, décadas depois, em uma civilização ameaçada pela degradação da inteligência humana. Explico. A tese do filme é uma inversão da lei de Darwin. Os idiotas reproduzem-se mais, logo, dominarão o planeta. Só os mais imbecis sobrevivem.
Fiquei com uma estranha sensação de que a realidade talvez seja pior que a ficção. Mas o pior mesmo foi acordar hoje e ler matéria na Folha em que, segundo dados do Datafolha, o presidente Lula continua com a popularidade inabalável - pelo menos nas estatísticas -, a despeito de crises aéreas e escândalos políticos.
Brrrrrrr.... que frio!
sábado, 4 de agosto de 2007
Visitando a casinha de boneca
A reportagem em hipermídia Longe da Casinha de Boneca, de Julliana de Melo, foi anunciada ontem como vencedora do Prêmio Nuevo Periodismo Cemex+FNPI, da Fundação Nuevo Periodismo Iberoamericano, na categoria internet.O hostsite foi publicado no JC OnLine, de Recife (PE) em 16 de abril de 2006. No mesmo ano, ganhou o Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos e o Cristina Tavares de Jornalismo.
A reportagem especial relata o drama do trabalho infantil doméstico em Recife. A narrativa foi construída em uma página dinâmica, em Flash, com links distribuídos nos cômodos de uma casa: sala de estar (abre) e mais quarto, banheiro, cozinha, área de serviço e quintal (retrancas). Que sacada, confiram!
A apuração se valeu de câmeras e gravadores ocultos para registrar adolescentes que são oferecidas nas ruas de Recife para trabalhar como domésticas. O texto é enriquecido com dados oficiais, entrevistas em áudio, vídeos e infográficos. Mais enquete e incríveis depoimentos de leitores.
Exemplo de como se fazer uma reportagem investigativa e, importante, atrativa, para jornais online.
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Jornalistas blogueiros
Adoro listas, e vocês? Essa correu a matrix essa semana: blogs de pesquisadores em comunicação do Brasil, do Monitorando, em sua 4ª atualização (hoje).
Tem coisas bem legais, mais de 50 endereços na web, vale a pena conferir e mandar sugestões. Ei, tá esperando o quê? Já atualizou seu blog hoje?
Tem coisas bem legais, mais de 50 endereços na web, vale a pena conferir e mandar sugestões. Ei, tá esperando o quê? Já atualizou seu blog hoje?
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Antes que escorra pro ralo
De volta com novidades! Vamos falar neste semestre de Intercom em Santos, jornalismo político, RAC, jornalismo comunitário, jornalismo digital e botar nosso site no ar, com ajuda do meu orixá! E mais dicas de cursos, livros, filmes e minhas rabujentices de sempre (tô ficando velho...). Os alunos são poucos mas nervosos. Jornalista é um bicho brabo por natureza! Então vamos irritar a geléia geral! Comentários?
"Com a loucura no bolso, Orlando entrou na
Biblioteca Estadual
Foleou folhas esta-fúrdias sobre as
idéias a arquitetura e a descompostura
dos homens
Aí achou graça. Aí ficou sério.
Aí riu. Aí chorou demais.
Aí começou a tremer.
Sentiu o bolso furado.
Sentiu o corpo molhado.
Derretendo-se.
Beto chegou a tempo de recolher num copo
A poça d'agua qui corria pro ralo
Orlando disse mais tarde;
- Não faço isso never more
"Com a loucura no bolso, Orlando entrou na
Biblioteca Estadual
Foleou folhas esta-fúrdias sobre as
idéias a arquitetura e a descompostura
dos homens
Aí achou graça. Aí ficou sério.
Aí riu. Aí chorou demais.
Aí começou a tremer.
Sentiu o bolso furado.
Sentiu o corpo molhado.
Derretendo-se.
Beto chegou a tempo de recolher num copo
A poça d'agua qui corria pro ralo
Orlando disse mais tarde;
- Não faço isso never more
Chacal
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