
Sempre achei um tanto injusta a relação professor/aluno. É que, de modo geral, me parece que o professor aprende mais que o aluno.
Por que? Não sei, talvez por ser um cara com mais experiência para aproveitar a oportunidade. O tempo, em suas fabulações secretas, deve trazer algum tipo de compensação pelo que nos rouba.
Enfim...
Foi o que pensei esta semana, ao acompanhar duas orientandas em uma banca de TCC. Daniel na cova dos leões, saca?
Uma das monografias foi sobre a transposição de conteúdo impresso para o digital em sites noticiosos locais.
A reflexão que me pareceu interessante foi que, fora dos grandes centros, o que se vê (com suas exceções, é claro), são empresas jornalísticas que estão pouco ligando para esse negócio de internet. É o que se conclui pela péssima qualidade dos sites analisados na pesquisa.
A questão é: por que não investem na web, quando a tendência mundial aponta para a convergência de mídias?
Desconfio que haja aí, mas bem quietinho, feito pum silencioso, aquele caquético paradoxo da globalização que, ao mesmo tempo que promove semelhanças, em nível global, gera diferenças, localmente.
Calma, baby. Explico.
A evolução não acontece de forma tão harmoniosa quanto no
Animal Planet. No Brasil, convivemos com rincões pré-gutemberguianos, em que sequer a tecnologia da escrita foi dominada (
of course, não podemos esquecer que, no Brasil, temos o atrevimento de pular etapas, mas mesmo assim).
Portanto, enquanto se discute fim do jornal impresso, tudo indica que ele ganhará sobrevida no interior. Não sei se será digna, uma vez que muitos são mantidos com dinheiro que entra pela "porta dos fundos", se é que me entendem. Um tema interessante para pesquisa.
Jornalismo cidadãoO outro lado da moeda veio com uma monografia sobre o papel do jornalista profissional como "filtro" em portais noticiosos de jornalismo cidadão (estudo de caso:
IG e
G1). Só para por os pingos nos "is": jornalismo cidadão, apesar dos detratores,
não vai substituir o jornalista profissional,
não é "lixo da internet" e
nem campanha publicitária de web 2.0.
Recorro a Peirre Levy, que não entende nada de jornalismo, mas foi feliz em cunhar o termo inteligência coletiva. O jornalista não é mais dono da verdade (se é que um dia o foi) e, cada vez mais, assumirá o papel de administrador de inteligências coletivas em redes sociais, filtrando informações e contanto com a participação do público em todo processo editorial, da pauta ao fechamento.
O trabalho de apuração não deixará de ser feito e nem haverá perda do contato com a realidade (para quem ainda pensa em dualismo real/virtual: acoooorda, cabeção!). Em resumo: é um aprendizado em novas mídias.
Um ponto que chamou atenção, e um contraponto com a pesquisa anterior, é que a autora não somente testou as ferramentas como entrevistou os responsáveis pelos portais, revelando algo que viemos observando durante todo ano de 2007 na reformulação de sites e portais (o último, da
BBC): promessas de maiores investimentos em web social.
Duas visões diferentes, duas tendência que não se anulam, e muito trabalho a ser feito.
Um feliz 2008 com muita web social e móvel pra todos!
Saravá!
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Em tempo: "Jornalismo On-line: a transposição do jornalismo impresso e a produção jornalística digital em Guarujá", de Karina Mingareli, e"Jornalismo Cidadão: o papel do jornalista profissional nos canais Minha Notícia e VC no G1", de Elisangela Dias, estarão em breve disponíveis (Alá nos ouça!), no
site da facul.
"Relativity" (1953), de M. C. Escher.