sábado, 22 de dezembro de 2007

Férias!!!

É isso aí! Cerveja, filho, mulher, filho, praia do posto 4... entenderam, né? Voltaremos em fevereiro, se assim for a vontade de Exu e Hermes, deuses da comunicação. Se não for, pior pra eles, porque sou teimoso e volto de qualquer jeito, com novidades.

Boa pauta!

domingo, 16 de dezembro de 2007

O futuro do jornalismo: duas visões


Sempre achei um tanto injusta a relação professor/aluno. É que, de modo geral, me parece que o professor aprende mais que o aluno.

Por que? Não sei, talvez por ser um cara com mais experiência para aproveitar a oportunidade. O tempo, em suas fabulações secretas, deve trazer algum tipo de compensação pelo que nos rouba.

Enfim...

Foi o que pensei esta semana, ao acompanhar duas orientandas em uma banca de TCC. Daniel na cova dos leões, saca?

Uma das monografias foi sobre a transposição de conteúdo impresso para o digital em sites noticiosos locais.

A reflexão que me pareceu interessante foi que, fora dos grandes centros, o que se vê (com suas exceções, é claro), são empresas jornalísticas que estão pouco ligando para esse negócio de internet. É o que se conclui pela péssima qualidade dos sites analisados na pesquisa.

A questão é: por que não investem na web, quando a tendência mundial aponta para a convergência de mídias?

Desconfio que haja aí, mas bem quietinho, feito pum silencioso, aquele caquético paradoxo da globalização que, ao mesmo tempo que promove semelhanças, em nível global, gera diferenças, localmente.

Calma, baby. Explico.

A evolução não acontece de forma tão harmoniosa quanto no Animal Planet. No Brasil, convivemos com rincões pré-gutemberguianos, em que sequer a tecnologia da escrita foi dominada (of course, não podemos esquecer que, no Brasil, temos o atrevimento de pular etapas, mas mesmo assim).

Portanto, enquanto se discute fim do jornal impresso, tudo indica que ele ganhará sobrevida no interior. Não sei se será digna, uma vez que muitos são mantidos com dinheiro que entra pela "porta dos fundos", se é que me entendem. Um tema interessante para pesquisa.

Jornalismo cidadão
O outro lado da moeda veio com uma monografia sobre o papel do jornalista profissional como "filtro" em portais noticiosos de jornalismo cidadão (estudo de caso: IG e G1). Só para por os pingos nos "is": jornalismo cidadão, apesar dos detratores, não vai substituir o jornalista profissional, não é "lixo da internet" e nem campanha publicitária de web 2.0.

Recorro a Peirre Levy, que não entende nada de jornalismo, mas foi feliz em cunhar o termo inteligência coletiva. O jornalista não é mais dono da verdade (se é que um dia o foi) e, cada vez mais, assumirá o papel de administrador de inteligências coletivas em redes sociais, filtrando informações e contanto com a participação do público em todo processo editorial, da pauta ao fechamento.

O trabalho de apuração não deixará de ser feito e nem haverá perda do contato com a realidade (para quem ainda pensa em dualismo real/virtual: acoooorda, cabeção!). Em resumo: é um aprendizado em novas mídias.

Um ponto que chamou atenção, e um contraponto com a pesquisa anterior, é que a autora não somente testou as ferramentas como entrevistou os responsáveis pelos portais, revelando algo que viemos observando durante todo ano de 2007 na reformulação de sites e portais (o último, da BBC): promessas de maiores investimentos em web social.

Duas visões diferentes, duas tendência que não se anulam, e muito trabalho a ser feito.

Um feliz 2008 com muita web social e móvel pra todos!

Saravá!

***
Em tempo: "Jornalismo On-line: a transposição do jornalismo impresso e a produção jornalística digital em Guarujá", de Karina Mingareli, e"Jornalismo Cidadão: o papel do jornalista profissional nos canais Minha Notícia e VC no G1", de Elisangela Dias, estarão em breve disponíveis (Alá nos ouça!), no site da facul.

"Relativity" (1953), de M. C. Escher.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Vaga para estagiário em on-line

No nytimes.com.

Trampo:
  • capacidade de "empacotar" notícias "em ritmo acelerado" e "ambiente de trabalho em mudança permanente" (adorei isso!).
  • trabalhar com repórteres e editores tanto do impresso quanto do digital.
  • produção multimídia de fotos, [info] gráficos, áudio e vídeo.
Qualificações exigidas:
  • interesse "forte e demonstrável" em jornalismo (traduzo: ler muuuuuuito!).
  • domínio de softwares (Photoshop, Flash, editores de áudio), HTML e Javascript.
  • criação de base de dados em multimídia é um plus.
Uma questão: será que faculdades de jornalismo brasileiras oferecem currículo adequado ao profissional que vai trabalhar com mídias híbridas (ou cíbridas, para os modernosos)?. Lembrando que o NYT integrou recentemente as redações do impresso e on-line e que experiências semelhantes vem sendo seguidas por redações brazucas.

(confira o anúncio completo)

domingo, 2 de dezembro de 2007

Livro e pós-livro

Fiquei animado com o lançamento do Amazon Kindle mais do que com outras versões digitais do livro e leitores de e-books apresentadas anteriormente. Não tanto pelo que oferece, mas pelas possibilidades.

Basicamente, trata-se de um e-reader com tela de alta resolução, conexão sem fio, oferta de download de até 90 mil livros da loja on-line, acesso a 250 blogs, jornais, revistas e Wikipédia. U$S 399.

Porém, o mais interessante são as experiências de pós-livro abertas pelo produto.

Penso mídias de forma pragmática. Os efeitos são hábitos de conduta. O resto é bobagem. Exemplo: a TV pariu o espécime antropológico "hommer simpson", que as TVs digitais, webTVs, YouTube, etc, se encarregam de empalhar. Lenta agonia.

Outro exemplo. Balzaquianos, passamos a adolescência mudando lado de discos (lado A/lado B), trocando agulhas de vitrolas e pirateando "bolachas" em (arghhhhh!!!!!) fitas cassetes. Em poucos anos, o disco foi substituído pelo CD e o CD, por MP3, downloads e redes P2P. Cadê a loja de discos que estava aqui?

O livro, no entanto, conserva ainda sua "aura", sua sacralidade. Mais do que isso, sua praticidade. Nenhuma plataforma de escrita foi tão bem sucedida.

Comecemos pela profanação.

Livros são ferramentas. Servem para ler, reler, escrever nas margens, grifar palavras, desenhar em suas bordas, deixar recados infames e safados, fotos, pentelhos e tickets de ônibus. Objetos de uso. Marx "mastigava" os seus, que mais pareciam amontoados de papés velhos. E, confesso, tenho alguns que estão quase imprestáveis, depois de sucessivas leituras.

Alguns livros são tão bons que mesmo um imbecil deveriam comprá-los, na esperança que seu gene não vingue em filhos e netos.

Alguns livros são tão ruins que devem ser atirados à fogueira, sem dó.

Tenho uma relação relação estranha com os livros. Foram terapia e se tornaram ganha-pão. Cheguei a trampar em sebos. Juntei um punhado de livros em prateleiras. Encontrei um Finnegans Wake no lixo. Guardo essa merda até hoje.

O que me incomoda nesses objetos são colônias de ácaros e peso. Ufa, o peso... vamos falar da praticidade.

Com e-readers como o Kindle, poderíamos transportar bibliotecas inteiras em um palm. Fazer download de obras de domínio público e de livre acesso, consultar o dicionário ali mesmo, ir na Wikipedia e ler a biografia do autor, copiar/colar, editar, anotar em suas margens, ler resenhas em jornais, recolher citações, e por aí vai.

A leitura deixaria de ser aquela atividade solitária, passiva (com ressalvas!) e isolada. É deste tipo de experiência que falo. O resto é propaganda.

O preço a pagar são prazeres mesquinhos: manipular as páginas, percorrer corredores de bibliotecas, apreciar cores e formas. Corremos o risco de tornar tudo homogêneo, impessoal, frio. É por isso que ainda ouço rock e jazz em vinil.

O sucesso do livro é a mobilidade. O futuro da internet é a mobilidade. Daí, o pós-livro.