
Por pior que sejam,
crises fazem parte do processo evolutivo. O problema é que, se o processo for
darwinista, a crise seleciona os mais criativos -- que se fortalecem -- e elimina os menos capazes. Quase sempre o é.
O
fim de um relacionamento, por exemplo, pode deixar uma parte até mais corada, bem de saúde. Mas, geralmente, a outra leva a pior, como na música
Trocando em Miúdos do Chico.
Nos jogos do poder, crises financeiras como a atual movimentam "placas tectônicas" da política. Terreno propício para mudanças, como a que ocorre nos EUA.
Marx foi um dos primeiros a sacar o papel da crise no sistema capitalista. O problema é que ele, messiânico, não a entendia como cíclica, mas linear. Previu o paraíso na terra e deu no que deu (apesar disso, o comunismo bem que poderia ser revisto como
ideal regulativo de conduta para os capitalistas, frente ao cinismo vigente).
Nada tão drástico quando o fim do capitalismo advirá desta crise, a não ser uma reestruturação da "filosofia econômica", com maior interferência estatal, como já nos cansamos de ler por aí.
Para além disso, precisamos ficar atentos aos pacotes e seus entregadores.
Os jornais de hoje trazem
candidatos à sucessão presidencial em 2010 liberando recursos para montadoras. O que esperamos dos jornais em momento de crise é tudo aquilo que esperamos deles para que superem a própria crise:
análise, contexto e opinião bem fundamentada. Ou seja, criatividade.
Boa crise a todos!