sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Recesso

O RP entra de férias mais cedo este ano para que o autor se dedique a outros compromissos, entre os meses de dezembro e janeiro.

Escrever (alguns diriam, blogar) é um prazer, quase um vício. Por isso, espero retornar em breve, assim que consiga conciliar projetos profissionais com a rotina de atualizações que o formato exige.

Agradeço a micro, conquanto valorosa, audiência.

Boas festas!

Foto: thisemily.

domingo, 23 de novembro de 2008

Brasil: um retrato da desigualdade

Mapa da pobreza, um mapa interativo com base de dados oficiais sobre a miséria no país, foi publicado hoje pelo Estadão.

Ele resulta de um novo indicador social do Ministério do Desenvolvimento Social, o Índice de Desenvolvimento Familiar (IDF), que inclui vulnerabilidade familiar, escolaridade, acesso ao trabalho, renda, desenvolvimento infantil e condições de habitação (leia matéria).

Pesquisas servem, em parte, para provar o que já se sabe mas não se pode afirmar categoricamente. Assim é com este novo-velho retrato do país: a pobreza está concentrada em regiões onde faltam políticas públicas e sobra assistencialismo, como o Programa Bolsa-Família.

sábado, 22 de novembro de 2008

O melhor do fotojornalismo

Esta incrível foto de um navio com bandeira nazista ancorado no porto de Santos em 1939 foi feita pelo fotógrafo da revista Life John Phillips (1914-1996), que esteve no Brasil durante a guerra.

Ela e outras milhares de fotos da extinta revista foram disponibilizadas nos arquivos do Google, e devem interessar não somente amantes do fotojornalismo, mas também pesquisadores e historiadores.

Outras referências de fotojornalismo na web (via 10000 words):
Divirtam-se!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O indiscreto charme da burguesia

O NYT publicou ontem uma reportagem de Brooks Barnes, baseada em fontes anônimas, em que afirma que o casal Angelina Jolie e Brad Pitt negociou não somente US$ 14 mi pela publicação das fotos de seus gêmeos e entrevista em revistas de fofocas, mas também um compromisso editorial vitalício para que toda cobertura da família destacasse somente aspectos positivos.

A negociação envolveu as revistas People -- que ganhou a concorrência e divulgou o material em primeira mão, em 18 de agosto -- e Hello. Na reportagem, a People nega o tal contrato.

Papai Noel
No jornalismo de entretenimento nem tudo é o que parece. Imagens e entrevistas são cuidadosamente acompanhadas por assessores e marketeiros das celebridades e "flagrantes" são forjados com apuro.

Que tudo é de mentirinha o público já sabe, mas desfruta uma certa infantilidade em fingir que acredita, como Papai Noel ou Coelhinho da Páscoa.

É o mesmo jogo da seção de horóscopo dos jornais: sabe-se que pura balela, mas é irresistível dar uma conferida.

Só não pode quebrar o encanto.

domingo, 16 de novembro de 2008

Blogs na capa da Época

O que vai para a capa de uma revista semanal para atrair leitores? Sexo? Drogas? Rock'n'roll? Sim, tudo isso. Dietas e auto-ajuda também, quase sempre.

E novidades tecnológicas? Claro, mesmo que não seja tão "novidade" assim, ficamos curiosos pra ler. E atrai um público jovem que não quer mais ler nada em papel, suponho.

Boa semana e boa pauta!

sábado, 15 de novembro de 2008

Satiagraha, imprensa e conspiração

A Operação Satiagraha voltou a ser notícia esta semana, ora com enfoque nos desdobramentos da investigação do grupo ligado ao banqueiro Daniel Dantas, ora dando detalhes da investigação da investigação da própria PF (A Veja de hoje traz bastidores), que envolveria irregularidades e abusos que beneficiam os próprios suspeitos.

Além dos embates entre policiais e juízes, sobrou para a imprensa, que recebeu informações privilegiadas da operação (Folha e TV Globo) -- o "furo" que virou alvo de investigação -- e é apontada como agente de uma conspiração que envolveria os Três Poderes.

O que há de fato nesta história são indícios de desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro com participação de empresários e políticos que, por conta de um trabalho cheio de falhas e delírios literários e conspiratórios, corre o risco de enriquecer mais os acusados com processos indenizatórios.

Essa novela eu já vi.

Fraudes
Vale a pena conhecer o Monitor das Fraudes, de Lorenzo Parodi, entrevistado ontem pela TV Estadão.

Máfia
Recomendo também um dos livros que estou lendo: McMáfia - crime sem fronteiras (R$ 48), do jornalista Misha Glenny, que trata do envolvimento de governos com negócios ilícitos.

Foto: dinheiro que seria usado para subornar agentes (divulgada pela PF).

Redação multimídia em foto panorâmica

Ramón Salaverría destacou hoje em seu blog a foto panorâmica da redação multimídia da Gazeta de Vitória (ES), inaugurada em setembro, onde 200 profissionais, munidos do mesmo banco de dados, produzem conteúdo para três jornais impressos, o portal Gazeta Online e a rádio CBN Vitória.

O caminho da convergência.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Ah, que delícia de crise!


Por pior que sejam, crises fazem parte do processo evolutivo. O problema é que, se o processo for darwinista, a crise seleciona os mais criativos -- que se fortalecem -- e elimina os menos capazes. Quase sempre o é.

O fim de um relacionamento, por exemplo, pode deixar uma parte até mais corada, bem de saúde. Mas, geralmente, a outra leva a pior, como na música Trocando em Miúdos do Chico.

Nos jogos do poder, crises financeiras como a atual movimentam "placas tectônicas" da política. Terreno propício para mudanças, como a que ocorre nos EUA.

Marx foi um dos primeiros a sacar o papel da crise no sistema capitalista. O problema é que ele, messiânico, não a entendia como cíclica, mas linear. Previu o paraíso na terra e deu no que deu (apesar disso, o comunismo bem que poderia ser revisto como ideal regulativo de conduta para os capitalistas, frente ao cinismo vigente).

Nada tão drástico quando o fim do capitalismo advirá desta crise, a não ser uma reestruturação da "filosofia econômica", com maior interferência estatal, como já nos cansamos de ler por aí.

Para além disso, precisamos ficar atentos aos pacotes e seus entregadores.

Os jornais de hoje trazem candidatos à sucessão presidencial em 2010 liberando recursos para montadoras. O que esperamos dos jornais em momento de crise é tudo aquilo que esperamos deles para que superem a própria crise: análise, contexto e opinião bem fundamentada. Ou seja, criatividade.

Boa crise a todos!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

More sexy than your news, mr. Sulzberger

Me chamou atenção na home do NYT de hoje um anúncio publicitário do Mac da Apple -- todo em Flash, dinâmico e divertidíssimo -- ocupando as zonas de visão mais privilegiadas de uma capa de jornal. Concorrência desleal com as notícias.

Voltaremos neste assunto.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Reportagem do tempo da mordaça

Em Operação Condor: O seqüestro dos uruguaios (R$ 49), o jornalista Luiz Cláudio Cunha, refaz, 30 anos depois, os caminhos da reportagem que desafiou a ditadura ao expor a operação militar criada pelo ditador Pinochet, com apoio de militares brasileiros, para seqüestrar e fazer"desaparecer" inimigos políticos.

O jornalista, que na época trabalhava na sucursal gaúcha da Veja, testemunhou a captura de um casal no Rio Grande do Sul, em 78, pela "ave de rapina" do regime.

Sem nenhum recurso tecnológico além de uma esferográfica bic e um bloco de anotações, em um tempo em que a censura desestimulava o repórter a se aventurar em qualquer matéria investigativa, ele recebeu aval da revista para, em 86 semanas, apurar e contar a história -- com fontes protegidas pelo of, é claro.


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A redução dos custos nas redações torna quase impossível fazer este tipo de cobertura atualmente. Quase.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Obama: o homem-manchete (2)

Slideshow especial do Instituto Poynter que capturou as homepages dos principais jornais e TVs norte-americanos à 1h30 de quarta, que anunciaram a vitória de Obama. Registro de 11 sites de jornais e TVs nacionais, 79 jornais de circulação regional e 31 estações de TV.

A história se faz online.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Esqueçam o holograma



De modo geral, blogs de jornalismo e tecnologia foram cautelosos com a novidade do repórter holograma apresentado ontem pela CNN na cobertura das eleições (aliás, o tal holograma já começou a ser contestado por especialistas).

Num primeiro momento, parece, e de fato foi, mero entretenimento, não algo que acrescente conteúdo jornalístico aos fatos.

Mais interessante me parece ser a mistura de linguagens no casamento de vídeo e texto no discurso de Obama, no New York Times, em que assistimos ao pronunciamento e lemos o texto, ao mesmo tempo (excelente para analisar a fala do político!).

Isto está sendo chamado de vídeo interativo e a ferramenta está disponível no Ved.io, por exemplo.

Holograma, monsieur Baudrillard!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama: o homem-manchete

"Yes he did!". "Change has come". "Onama's Nation". "Historymaker". "Oh-Bama!". Simplesmente, "Obama": o homem que ganhou as manchetes dos jornais do mundo nesta manhã de quarta-fera.

Um mundo igual ao de ontem, mas um pouco mais aliviado. Afinal, varre-se o lixo de oito anos de proto-terrorismo da administração Bush, um dos mais desastrosos governos da era moderna. Contra a política do medo, a política da esperança.

Com vocês, Obama: o homem-manchete!

domingo, 2 de novembro de 2008

Eleções, internet e jornalismo (7)

É inegável o peso da internet na eleição presidencial norte-americana, com o uso maciço de redes sociais, blogs, microblogs, You Tube, etc. pelos candidatos, além de farto material multimídia na cobertura jornalística.

O que achei mais interessante, porém, foi o uso de mapas pelos principais jornais e redes de TVs nos EUA. Para ficar em apenas um exemplo, o ElectionCenter 2008, da rede CNN, que disponibiliza:
Enfim, no ecossistema midiático norte-americano encontramos, neste ano, uma vasta cartografia da notícia. Coisas que só o "frisson" de uma eleição pode nos oferecer.

Confiram também:
  • Galeria de mapas das eleições nos EUA no Google Maps
  • Post no Interney sobre uso eleitoral da internet no Brasil.
  • Cobertura no Estadão
  • Cobertura no G1
  • Cobertura no UOL

Fora, Bush!