quarta-feira, 8 de abril de 2009

Congestão informacional

Foi há pouco mais de dez anos, que parecem séculos, que conclui meu TCC "As Novas Tecnologias em Comunicação e a Construção da Realidade", em que empregava principalmente as ideias de Jean Baudrillard para explicar simulacros contemporâneos nas mídias digitais. Confuso, mas tinha um insight que dois anos depois eu viria sintetizado em "Matrix".

Esta semana reli, um pouco por acaso um pouco por necessidade, o capítulo "Implosão do sentido na mídia", da obra "Simulacros e Simulação" (sim, é aquele livro em que Neo esconde as drogas no filme). Fiquei impressionado com a atualidade logo da primeira frase:
Estamos num universo em que existe cada vez mais informação e cada vez menos sentido.
Estava ali, o tempo todo, um dos assuntos que mais discuto (muitas vezes solitário) neste blog. O fato de termos mais informações não significa que temos mais conhecimento. Conhecimento é informação contextualizada, que possui uso prático em nossas vidas. Se hoje estamos expostos a um fluxo maior de informações isso não significa, necessariamente, que sabemos mais sobre o mundo. Talvez até o inverso seja verdade.

Para Baudrillard, a velocidade imprimida à difusão de informações pela mídia acabaria por anular a própria comunicação, uma vez que, neste processo, se distanciaria cada vez mais de seu referente, a ponto de gerar uma realidade eletrônica (diríamos atualmente, digital) mais convincente que a própria realidade social em que pautamos nossas experiências. Os meios não reportariam os acontecimentos: seriam o próprio acontecimento.

Baudrillard escreve com muita empáfia mas pouco apuro e zelo com os conceitos. Chega a me irritar. Mas nessa cartola tem alguns coelhos.

Talvez retome esse fio da meada.

Charge: Patrick Chappatte, NYT.

1 comentários:

The Music Stalker disse...

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