sábado, 11 de abril de 2009

Teste Escher para geração M

É chamada geração multitarefa os jovens nascidos a partir do final dos anos 80 e começo dos anos 90 que cresceram na companhia de novas tecnologias como a internet e o telefone celular. Atribui-se a essa turma a capacidade de desenvolver muitas tarefas ao mesmo tempo, como ouvir música, fazer trabalho escolar, mandar mensagens em comunicadores instantâneos, assisir vídeos, baixar programas de computador e falar no Skype. Daí a designação.

Creio que as mídias "shapeiam" cérebros, no sentido de estimularem determinadas funções (como os estudos de games vem demonstrando), mas duvido que provoquem mudanças drásticas em padrões cognitivos.

Teste
Proponho um teste simples. Observe o quadro acima, Circle Limit IV (1960), do artista holandês M.C. Escher. Tente manter o foco de atenção simultaneamente nas duas figuras, anjinhos e diabinhos. Impossível? Sim, porque quando vemos o diabinho, ele é figura e o anjinho, fundo. E vice-versa.

Isso ocorre porque nosso aparelho perceptivo e cognitivo possui algumas limitações.

O mesmo vale para a geração M. Quando esses jovens estão fazendo várias coisas ao mesmo não quer dizer que estão prestando atenção em tudo. A diferença é que eles mudam o foco de atenção com velocidade incrivelmente maior que os da geração anterior, conseguindo retomar o que estavam fazendo no segundo anterior com tranquilidade. O jogo figura/fundo adquire outra dinâmica.

Identidades
Essa velocidade de escape, digamos assim, provoca um problema que quero crer seja mais cultural que moral. Como tenho insistido, tem coisas que exigem um olhar mais demorado e que eram produto de uma tecnologia mais, hum, linear... Coisas como reflexão e pensamento crítico.

Se isso ficar em segundo plano, desconfio que estaremos abrindo mão de uma identidade importante que nos fazia cidadãos antes de consumidores.

Será só grilo da minha cuca?

2 comentários:

Francisco disse...

Eu concordo contigo. Não vou ser "velho" e dizer q sou contra o uso de tecnologia por parte da molecada de hoje, mas acho q beira o ridículo ficar usando internet, celular, videogame e TV ao mesmo tempo, como fazem. O resultado é improdutivo. Nosso cérebro só se concentra numa coisa por vez; não existe, como nos PCs, um outro núcleo de processamento (como nos processadores Intel Dual Core e etc huahua). Não dá para somar 2+2 e deixar outra parte do cérebro ir processando 17872*43248 :P.

E pelo jeito já fiquei obsoleto (sou de 1987) e acho q pertenço à "geração Y" e fico de fora dessa M huahuah!. Não tive contato grande com celurares. Internet, só aos 15. Só tive ligação com o videogame - e grande parte em 2D =(

T+

José Renato Salatiel disse...

Frank, gostei dessa comparação com a máquina, achei o exemplo muito elucidativo, brother. É isso aí. Só penso que a questão talvez não diga respeito se é um não algo produtivo; pode ser que até seja para o que se pretende fazer. O que pega, e não deixei claro, é que não inventaram nenhuma tecnologia que privilegie a razão (logo, a comunicação) melhor do que o impresso. Tem momentos em que precisamos parar de saltar os links e mantermos o foco, num artigo, num livro ou numa palestra, por exemplo. Não quero fazer juízos de valor sobre a geração atual. Só estou tentando pontuar uma mudança cultural para que possamos entendê-la melhor. Abs.