sábado, 25 de abril de 2009

Who let the dogs out?

A Veja desta semana traz uma matéria sobre a crise dos jornais nos Estados Unidos, com destaque para aquele que talvez seja o maior símbolo da indústria do jornal impresso no mundo: o NYT (leia Inferno na torre do Times).

Já disse outras vezes, aqui e em outras paragens, que a real questão da crise dos impressos é como encontrar alternativas de negócios que possam financiar um jornalismo de qualidade, ou seja, o que interessa é salvar o bom jornalismo, não os jornais (apesar de nós, trintões, ainda sermos consumidores compulsivos de papéis e, por tabela, desalmados devastadores de florestas).

Pois uma alternativa interessante, lá nos Estados Unidos, foi mostrada esta semana por Mark Glaser, no Midia Shift, com um guia comentado de sites locais de Watchdog News (via Cyberjournalist.net).

Política
Watchdog, ou cão de guarda, designa repórteres investigativos que fazem o trabalho de fiscalizar os poderes, naquele modelo imortalizado por "Todos os Homens do Presidente" e que esta semana voltou em cartaz com State of Play.

Glazer analiza 15 sites que cobrem política, alguns sem fins lucrativos, outros bancados por doações de leitores (acreditem, isso existe, basta ver o quanto o Obama arrecadou assim em sua campanha), entre outras formas de financiamento.

O problema com esses sites, segundo ele, é que reproduzem os padrões noticiosos da mídia impressa, sem aproveitar os recursos da web, como mapas com base de dados. A maioria possui redação enxuta de até cinco repórteres fixos e uma rede de freelas.

Escândalo
No Brasil, nossos "watchdogs" estão à solta, em uma semana em que o noticiário político foi praticamente dominado pelas mordomias e irregularidades do Congresso, merecendo, inclusive, capas de duas revistas semanais, a Veja e a Isto É.

A cobertura, que revela o que o jornalismo tem de melhor, foi encampada pelos jornais impressos, pelo menos pelos dois que leio com mais frequência, a Folha e o Estadão.

Os jornais daqui ainda gozam de boa saúde financeira e é difícil imaginar uma cobertura como essa sendo feita na internet, pois não temos nada parecido com os sites de "watchdog news" (o mais próximo, que me vem à cabeça, são o Congresso Em Foco e o projeto Transparência Brasil, mas são propostas diferentes).

Se a crise dos impressos bater por aqui, quem adotará nossos "watchdogs"?


Foto: via Fickr.

3 comentários:

Francisco disse...

Só os trintões são apegados ao jornal impresso? Eu sou um "vintão" e tb sou huauahua! É mais confortável ler no papel (o Lula diz preferir os jornais pela internet pq "não suja as mãos de tinta". Mas ele não vale, pq ele não lê jornais...).

O "Todos os homens do presidente" é massa. Outro q fala sobre imprensa e é legal é "O Informante".

Poderiam ter colocado nas capas das revistas uma foto do José Sarney. Não precisa fazer montagens, colocar ilustrações... ele e sua história são o próprio símbolo da política do Brasil.

T+

Mayumi Kitamura disse...

Meu, tbm prefiro os impressos, ler na tela é cansativo u-u
Mas olha, o que será que o Lula pega para ler? ;)
Matérias em sites tudo ok, mas não acredito que isto vá acabar com os jornais impressos, lógico, isso quando perceberem que são plataformas diferentes e precisam de abordagens diferentes e pensar em como reverter o quadro da perda de leitores.
Acho que os impressos devem investir nesse tempo a mais que tem para apurar uma matéria, se desdobrarem para ter uma cobertura melhor com mais dados do que o online, já que este meio, pela necessidade de velocidade de fluxo de informações acaba pecando justamente pela rapidez com que as notícias são publicadas. Talvez os impressos devam publicar mais matérias investigativas. Talvez. Posso estar errada. Além disso, posso estar errada e o Lula ser leitor compulsivo. Ou mais, posso estar errada e tudo acabar em pizza. Vai saber. O que eu sei é que os jornalistas ainda tem muito que se adaptarem a esta "nova" situação - o mais rápido possível, apesar de ser um longo caminho de aprendizado, as novas mídias não esperam.

bjs

José Renato Salatiel disse...

Desculpem a demora em continuar o diálogo. Estou numa correria com outros trabalhos. Acho que a capa com o Sarney tornaria o caso pessoal demais, Frank, apesar de concordar com você que ele é um símbolo do atraso na política brasileira. De resto, estou de acordo com vocês. Abs para o brother e bjs para a dama.