quinta-feira, 25 de junho de 2009

Questão de método

Nos caps 3 e 4 de Vida de Escritor, Gay Talese descreve seu método antiquado, pouco produtivo mas eficiente de trabalho. Consiste em burilar frases e parágrafos em um bloco de notas de folhas amarelas pautadas e depois datilografar, para correções intermináveis. (Borges dizia que publicava seus livros para dar cabo desse transtorno.)

O jornalista desistiu de acompanhar o ritmo de desatualização dos computadores, aos quais nunca se adaptou muito bem.(O Macintosh IIci que sobrevive em seu escritório não vai além da função de uma máquina de escrever.)

Tempo perdido
A escrita, porém, é uma etapa do processo. Ela é precedida pela pesquisa. Gastos de tempo e dinheiro com entrevistas, a maioria das quais pouco se aproveita. Alguns entrevistados precisam ser convencidos a falar e, depois de quilômetros percorridos, despesas com transporte e hospedagens, 80% do resultado obtido termina no cesto de lixo.

E com isso leva até mais de dez anos para concluir uma obra.
(...) é importante reconhecer que durante os quarenta anos de minha carreira como escritor-pesquisador eu investi pesadamente na perda de tempo." (p. 59).
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O tempo de maturação que as coisas pedem nos conduz, por vezes, a erros, frustrações e becos sem saída. Bons trabalhos são resultados de insistência, paciência e teimosia. Há um limite biológico e físico, uma espécie de velocidade de escape que nossa cabeça iluminista não consegue atingir para romper a estratosfera de Gutemberg.

Foto: Flickr.

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