quinta-feira, 30 de abril de 2009

B.O. é documento público

Lembrei aqui recentemente do filme Todos os Homens do Presidente, um clássico em todos os sentidos. Uma de minhas cenas preferidas é o começo, com aquele close na máquina de escrever em que cada tecla martelada imprime a lauda com a força de um trovão, selvagem, como se a verdade dos fatos não pudesse ser parida sem violência.

A dificuldade de conseguir informações públicas é uma rotina da profissão. Demanda muito "jogo de cintura", paciência, horas perdidas com telefonemas, fax, emails, "chá de cadeira" e pentelhação do repórter.

Censura
Um exemplo prático de como isso acontece. Essa semana, uma colega que trabalha numa cidade do litoral teve problemas com a Polícia Civil. O jornal achou por bem dar manchetes "negativas" sobre crimes ocorridos no município. Em resposta, os boletins de ocorrência foram censurados pela delegacia. O repórter só teria acesso aos documentos de casos mais "leves".

É um absurdo, mas é mais comum do que parece.

Direito
A primeira coisa que precisamos saber é que o conhecido B.O. é documento público, cujo acesso é garantido pela Constituição Federal (art. 5º e art. 37).

Boletim de ocorrência é um relato de crime que irá compor uma das peças do inquérito policial, que por sua vez, após a conclusão, é encaminhado ao Ministério Público para abertura de processo. Uma vez distribuído, aí sim, o juiz pode pedir sigilo judicial, dependendo do caso.

Mas as coisas não são tão simples assim. Como no Brasil ainda não temos uma lei específica que garanta o acesso a informações públicas, o que ocorre é que as autoridades alegam sigilo de investigação ou segurança de vítimas e testemunhas (conforme argumentos do Projeto de Lei 43/2009, que tramita na Assembleia Legislativa) para impedir o acesso ao repórter.

Hierarquia
Em último caso, podemos adotar medidas judiciais, como pedir mandado de segurança, para obter esses documentos, mas isso é raríssimo ocorrer. O melhor é tentar solucionar o problema na conversa.

Antes de mais nada, informar os superiores do jornal sobre o que está acontecendo. Em seguida, descobrir se a proibição partiu do delegado titular e falar com ele. Se não resolver, ir subindo na hierarquia, que vai do Seccional ao diretor do Deinter até a Secretaria de Segurança Pública e o governo do Estado.

O que não podemos é ficar calados.

Links:
Foto: Flickr.

Reportagem investigativa é coisa séria

Da entrevista do repórter da Folha, Frederico Vasconcelos, um dos mais respeitados e zelosos repórteres investigativos do país, concedida ao Portal Imprensa:
A questão do tempo é crucial. Tanto para a realização da reportagem quanto para a experiência que o jornalista deve acumular. Não recomendo a jovens jornalistas partir para essa área, tão fascinante para os iniciantes, sem maturidade ou sem uma "retaguarda": boas fontes, consulta a especialistas, muita checagem. A tentativa individual de grandes "furos", sob pressão do tempo, pode levar a experiências frustrantes. Fazer jornalismo investigativo requer qualificação dos repórteres, experiência e, principalmente, disposição dos veículos para enfrentar processos e pressões. Isso custa caro. É preciso investir em apurações demoradas, que têm custos elevados. O repórter deve ter uma retaguarda jurídica, para trabalhar com segurança e tranquilidade.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

"Meu pai era o Zodíaco"

Um mistério de 40 anos envolvendo um dos mais famosos serial killers dos Estados Unidos pode estar perto de chegar a um desfecho surpreendente. Deborah Perez, uma agende imobiliária de 47 anos, moradora de Orange County, Califórnia, revelou hoje que seu pai, o carpinteiro Guy Ward Hendrickson, era o Zodíaco.

Hendrickson, que viveu no sul da Califórnia entre 1968 e 1969, quando o Zodíaco matou cinco pessoas antes de sumir, morreu em 1983, totalmente desconhecido dos investigadores. O caso está aberto até hoje.

Como prova, a mulher apresentou um par de óculos que seriam um "troféu" tirado de uma das vítimas do assassino e que devem ser submetidos a exames forenses. Pior: ela afirma que, aos 7 anos de idade, acompanhou o pai em duas chacinas e que escreveu uma carta do Zodíaco (com erros de ortografia) endereçada a um procurador. Ela disse que vai colaborar com a perícia para comparar o DNA dos selos das cartas com o seu.

Filme
O Zodíaco ficou famoso pelas cartas com criptogramas que enviava à imprensa e às autoridades. Zodíaco (2007), de David Fincher, conta a história do ponto de vista de um cartunista do San Francisco Chronicle que ficou obcecado pelo caso.

Para os malucos que também curtem essas coisas, recomendo duas séries: Criminal Minds, sobre uma equipe especializada em traçar perfil de psicopatas, e Dexter, sobre um serial killer "do bem".

Jornal em tempos de influenza

É questão de tempo até que estejamos enfrentando a primeira pandemia de gripe do século 21. Será a primeira a ter cobertura de mídias digitais e vai dar um bom diagnóstico de nossa capacidade de empregar os recursos disponíveis para informar melhor a população e fiscalizar os poderes públicos. Ou de cometer mais equívocos com a agilidade do jornalismo online, que simplesmente não se harmoniza com o tempo de apuração.

Será uma boa oportunidade também para os impressos assumirem sua postura mais analítica, uma vez que manchetes e títulos baseados em números, estatísticas e dados perdem feio para a velocidade de ação do vírus mutante em gerar notícias na rede.

A preocupação em evitar disseminar o pânico entre a população, evitando o "canto da sereia" do sensacionalismo, já é um bom sintoma.

Cobertura
Será também a primeira vez que repórteres têm à disposição ferramentas multimídia (como os mapas), redes sociais e produção de pessoas comuns, relatando casos, além de muita informação técnica disponível na web. Seguem algumas:
(Enquanto escrevia este post o Brasil confirmou dois casos de gripe suína. Hora de reforçar o jornalismo preventivo, verificando a capacidade do sistema público de saúde para atender uma demanda maior, e o serviço.)

Foto
: policiais de Seatle durante a "gripe espanhola" de 1918, da Life.

sábado, 25 de abril de 2009

Who let the dogs out?

A Veja desta semana traz uma matéria sobre a crise dos jornais nos Estados Unidos, com destaque para aquele que talvez seja o maior símbolo da indústria do jornal impresso no mundo: o NYT (leia Inferno na torre do Times).

Já disse outras vezes, aqui e em outras paragens, que a real questão da crise dos impressos é como encontrar alternativas de negócios que possam financiar um jornalismo de qualidade, ou seja, o que interessa é salvar o bom jornalismo, não os jornais (apesar de nós, trintões, ainda sermos consumidores compulsivos de papéis e, por tabela, desalmados devastadores de florestas).

Pois uma alternativa interessante, lá nos Estados Unidos, foi mostrada esta semana por Mark Glaser, no Midia Shift, com um guia comentado de sites locais de Watchdog News (via Cyberjournalist.net).

Política
Watchdog, ou cão de guarda, designa repórteres investigativos que fazem o trabalho de fiscalizar os poderes, naquele modelo imortalizado por "Todos os Homens do Presidente" e que esta semana voltou em cartaz com State of Play.

Glazer analiza 15 sites que cobrem política, alguns sem fins lucrativos, outros bancados por doações de leitores (acreditem, isso existe, basta ver o quanto o Obama arrecadou assim em sua campanha), entre outras formas de financiamento.

O problema com esses sites, segundo ele, é que reproduzem os padrões noticiosos da mídia impressa, sem aproveitar os recursos da web, como mapas com base de dados. A maioria possui redação enxuta de até cinco repórteres fixos e uma rede de freelas.

Escândalo
No Brasil, nossos "watchdogs" estão à solta, em uma semana em que o noticiário político foi praticamente dominado pelas mordomias e irregularidades do Congresso, merecendo, inclusive, capas de duas revistas semanais, a Veja e a Isto É.

A cobertura, que revela o que o jornalismo tem de melhor, foi encampada pelos jornais impressos, pelo menos pelos dois que leio com mais frequência, a Folha e o Estadão.

Os jornais daqui ainda gozam de boa saúde financeira e é difícil imaginar uma cobertura como essa sendo feita na internet, pois não temos nada parecido com os sites de "watchdog news" (o mais próximo, que me vem à cabeça, são o Congresso Em Foco e o projeto Transparência Brasil, mas são propostas diferentes).

Se a crise dos impressos bater por aqui, quem adotará nossos "watchdogs"?


Foto: via Fickr.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Treinamento jedi (ou crônicas ballardianas)

Já há algum tempo laboratórios do mundo todo desenvolvem uma tecnologia criada com base em estudos de neurociência que permite que pessoas movam objetos com a força do pensamento, do mesmo modo que os jovens padawans treinam para ser um jedi.

Sério.

O segredo é um "headset" (foto de divulgação) capaz de ler impulsos elétricos emitidos pelos neurônios e transmitir via wireless para softwares específicos.

Essa tecnologia tem ajudado deficientes físicos a movimentarem cadeiras de rodas, escreverem em computadores e jogarem games. Ok, você já deve ter sacado que isso pode ir muito além... E está certo! A novidade agora, conforme esta matéria da New Scientist, é que empresas estão comercializando os aparelhos, que em breve chegarão ao mercado com preços mais acessíveis.

Games
Esqueça o Wii. A ideia é jogar games somente com suas ondas cerebrais, controlando avatares em ambientes 3D (O australiano Emotiv, por exemplo, permite 12 movimentos diferentes e, como o nome indica, lê emoções. Preço: US$ 299 [R$ 661]).

Outro exemplo de uso prático: esta semana, um engenheiro fez um teste postando uma mensagem no Twitter usando suas ondas cerebrais.Interface
Algumas pessoas estranhavam quando eu falava em "gradual dissolução da interface homem/máquina". Taí. E, conforme diz a matéria, novos modos de interação também devem mudar padrões cerebrais de futuras gerações. Para essa molecada, mouses e teclados deverão parecer tão estranhos quando uma máquina de escrever é para a turma de hoje.

Novas experiências midiáticas nos aguardam. Só precisam vir acompanhadas de uma política de inclusão digital mais efetiva.

Que a força esteja com vocês!
(E dane-se o "headset neuronal", eu quero um sabre-de-luz!!!)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Brazil

Essa é boa: A Wired publicou hoje matéria a respeito de uma investigação da Polícia Federal sobre hackers brasileiros que invadiam a frequência da marinha norte-americana com antenas via satélite (foto de divulgação da PF).

Já no El País, o destaque é para o muro da miséria dividindo o Rio de Janeiro.

Surreal.

Multimídia ganha espaço na imprensa brasileira

Aos poucos, o uso de narrativas multimidiáticas conquista adeptos no jornalismo brasileiro. A combinação de fotos e áudio para contar histórias tem forte apelo, como a publicada no NYT neste final de semana, sobre a emboscada de uma patrulha militar no Afeganistão que deixou um soldado morto.

Na semana passada, foi a vez do UOL lançar o Histórias Fotográficas, com o bem sacado O dia do desempregado. A reportagem acompanhou um dia na vida de um rapaz que procura emprego de barriga vazia. "Eu tomo bastante água" (via Mara Gama, ombudsman do UOL).

A seção Digitais, da revista Brasileiros é outra experiência do tipo.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

State Of Play

O filme estreia hoje nos Estados Unidos (com previsão para chegar em maio no Brasil) e deve ser o primeiro a retratar, numa redação de jornal, os conflitos éticos entre o jornalismo tradicional -- encarnado na figura do repórter investigativo -- e a velocidade da produção no jornalismo online. Será o fim do romantismo?

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Gödel, Turing

Estou lendo, admito que com uma gula fora do comum, o recém-lançado Um Louco Sonha a Máquina Universal, romance da física Janna Lewin sobre a vida de dois dos maiores cientistas do século 20, o lógico Kurt Gödel e o matemático Alan Turing. A autora reconstrói momentos decisivos da biografia dos personagens, com apuro acadêmico, numa escrita leve que confere grandeza e humanidade aos gênios.

Sou fascinado pelas histórias de Gödel, Turing e, principalmente, Wittgenstein, uma das figuras mais marcantes do período e coadjuvante na trama de Janna. Foram mentes que, sem exagero, mudaram o rumo do pensamento ocidental, mas que viveram atormentadas por delírios, psicoses, depressões e martírios congêneres.

O clima da época confere uma aura dramática à narrativa, com a Segunda Guerra, Hitler e a posterior paranóia da Guerra Fria. Gödel e Turing levavam uma vida de nerds ao cubo, com passagens ótimas em razão de sua total inabilidade no trato humano, e outras um tanto desesperadoras.

Morreram de formas absurdas: Turing, perseguido por ser homossexual, mordendo uma maça embebida em cianeto; Gödel, hipocondríaco e com mania de perseguição, foi encontrado morto por inanição, em posição fetal.

Habitavam outro mundo.

Quero mais:
  • Também recomendo Incompletude, de Rebecca Goldstein, lançado ano passado. Talvez a melhor explicação para leigos da famosa prova da incompletude de Gödel.
  • O Dever do Gênio, de Ray Monk, sobre Wittgenstein, é imbatível. Infelizmente, a edição brasileira está esgotada há alguns anos.
  • Alan Turing: the enigma, de Andrew Hodges, é considerada e mais completa biografia do pai da computação. Essa, também infelizmente, não foi traduzida.
Foto: Einstein e Gödel em Princeton, New Jersey, em 1954 (Leonard Mccombe/ Time Life Pictures).

Simpósio discute jornalismo online

A Universidade do Texas promove na próxima sexta e sábado (17 e 18 de abril) o celebrado 10° Simpósio Internacional de Jornalismo Online, que debate o panorama atual e tendências no jornalismo na web. O evento será transmitido ao vivo pelo site do evento (é necessário baixar um plug-in; as instruções estão na página).

Para quem não vai poder assistir ou ainda tem dificuldade de acompanhar em inglês, recomendo pelo menos a leitura do material disponibilizado, sobretudo os papers, que sempre trazem coisas interessantes.

O evento é realizado desde 1999 pelo professor Rosental Alves e reúne profissionais, pesquisadores e empresários do setor de comunicação. Confiram a programação.
(via Jornalismo nas Américas)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Quadra a quadra

Sites de notícias hiperlocais podem substituir os jornais? O NYT traz hoje uma matéria sobre empresas pontocom -- as chamadas star-ups -- que distribuem sites de jornalismo hiperlocal, como a EveryBlock, que opera em 11 cidades norte-americanas. A Knight Foundation apoia 35 experimentos no país. Os sites agregam notícias de prefeituras, serviços públicos e de entretenimento, além de linkarem blogueiros locais e material feito por pessoas comuns, como fotos do Flickr.

Alguns empreendimentos acolhem profissionais que perderam o emprego nos jornalões. O problema é como manter um negócio lucrativo com uma micro audiência.

Brasil
Por aqui, até onde sei, não temos nada parecido, mas nossa realidade é outra. Não dispomos sequer de serviços decentes de acesso à rede.

sábado, 11 de abril de 2009

Teste Escher para geração M

É chamada geração multitarefa os jovens nascidos a partir do final dos anos 80 e começo dos anos 90 que cresceram na companhia de novas tecnologias como a internet e o telefone celular. Atribui-se a essa turma a capacidade de desenvolver muitas tarefas ao mesmo tempo, como ouvir música, fazer trabalho escolar, mandar mensagens em comunicadores instantâneos, assisir vídeos, baixar programas de computador e falar no Skype. Daí a designação.

Creio que as mídias "shapeiam" cérebros, no sentido de estimularem determinadas funções (como os estudos de games vem demonstrando), mas duvido que provoquem mudanças drásticas em padrões cognitivos.

Teste
Proponho um teste simples. Observe o quadro acima, Circle Limit IV (1960), do artista holandês M.C. Escher. Tente manter o foco de atenção simultaneamente nas duas figuras, anjinhos e diabinhos. Impossível? Sim, porque quando vemos o diabinho, ele é figura e o anjinho, fundo. E vice-versa.

Isso ocorre porque nosso aparelho perceptivo e cognitivo possui algumas limitações.

O mesmo vale para a geração M. Quando esses jovens estão fazendo várias coisas ao mesmo não quer dizer que estão prestando atenção em tudo. A diferença é que eles mudam o foco de atenção com velocidade incrivelmente maior que os da geração anterior, conseguindo retomar o que estavam fazendo no segundo anterior com tranquilidade. O jogo figura/fundo adquire outra dinâmica.

Identidades
Essa velocidade de escape, digamos assim, provoca um problema que quero crer seja mais cultural que moral. Como tenho insistido, tem coisas que exigem um olhar mais demorado e que eram produto de uma tecnologia mais, hum, linear... Coisas como reflexão e pensamento crítico.

Se isso ficar em segundo plano, desconfio que estaremos abrindo mão de uma identidade importante que nos fazia cidadãos antes de consumidores.

Será só grilo da minha cuca?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Congestão informacional

Foi há pouco mais de dez anos, que parecem séculos, que conclui meu TCC "As Novas Tecnologias em Comunicação e a Construção da Realidade", em que empregava principalmente as ideias de Jean Baudrillard para explicar simulacros contemporâneos nas mídias digitais. Confuso, mas tinha um insight que dois anos depois eu viria sintetizado em "Matrix".

Esta semana reli, um pouco por acaso um pouco por necessidade, o capítulo "Implosão do sentido na mídia", da obra "Simulacros e Simulação" (sim, é aquele livro em que Neo esconde as drogas no filme). Fiquei impressionado com a atualidade logo da primeira frase:
Estamos num universo em que existe cada vez mais informação e cada vez menos sentido.
Estava ali, o tempo todo, um dos assuntos que mais discuto (muitas vezes solitário) neste blog. O fato de termos mais informações não significa que temos mais conhecimento. Conhecimento é informação contextualizada, que possui uso prático em nossas vidas. Se hoje estamos expostos a um fluxo maior de informações isso não significa, necessariamente, que sabemos mais sobre o mundo. Talvez até o inverso seja verdade.

Para Baudrillard, a velocidade imprimida à difusão de informações pela mídia acabaria por anular a própria comunicação, uma vez que, neste processo, se distanciaria cada vez mais de seu referente, a ponto de gerar uma realidade eletrônica (diríamos atualmente, digital) mais convincente que a própria realidade social em que pautamos nossas experiências. Os meios não reportariam os acontecimentos: seriam o próprio acontecimento.

Baudrillard escreve com muita empáfia mas pouco apuro e zelo com os conceitos. Chega a me irritar. Mas nessa cartola tem alguns coelhos.

Talvez retome esse fio da meada.

Charge: Patrick Chappatte, NYT.

Satiagraha: sai lista de jornalistas

A revista Consultor Jurídico publicou nesta semana matéria do repórter Claudio Julio Tognolli, que divulga a lista de 25 jornalistas apontados pelo delegado Protógenes Queiroz como integrantes de um complô midiático para favorecer o banqueiro Daniel Dantas. Além da lista, o Conjur também divulgou o relatório com a análise da suposta manipulação da mídia pelo banqueiro e parte de transcrições de grampos.

Segundo Tognolli, o delegado não apresentou provas e baseou seu relatório em um estudo de matérias publicadas por jornais e revistas, que fariam parte da conspiração, e interpretação equivocada de grampos de conversas de jornalistas envolvidos na cobertura do caso.

Diz o jornalista:
Dentre os nomes dos jornalistas acusados no delírio conspiratório constam profissionais que simplesmente são pautados para cobrir as pendengas que envolvem a partilha do bolo das teles no Brasil. A análise desses arquivos de Protógenes revela a prática daquilo a que os filósofos chamam de teleologia -- ou raciocínio baseado em causas finais.

Bastava algum profissional abordar o tema Daniel Dantas para que fosse catalogado como “parte do esquema" (...)
Aos poucos, torna-se claro porque o delegado sempre relutou -- lembro especificamente de entrevista ao Roda Viva e, hoje à tarde, em depoimento na CPI dos Grampos -- em revelar o nome dos profissionais. Ele não teria provas da suposta conspiração envolvendo a imprensa.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Imprensa e democracia

A Revista Imprensa promove, no dia 4 de maio, das 9h às 18h, o II Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, que será realizado na sede da FIESP, em São Paulo.

Entre os assuntos em debate, a Lei de Imprensa, blogs e novas mídias, com palestras de Ricardo Gandour (Grupo Estado), Heródoto Barbeiro (Roda Viva), Sergio Murillo (FENAJ), Rosana Hermann, Paulo Markun (TV Cultura) e Tiago Doria, entre outros.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas online.

sábado, 4 de abril de 2009

Livros de Paulo Freire para donwload

Dez obras do educador Paulo Freire estão disponíveis para download gratuito (PDF) no site do governo acreano Biblioteca da Floresta Ministra Marina Silva (via Sur Le Journalisme). Estão lá clássicos como Pedagogia do Oprimido e A Importância do Ato de Ler. O material também está disponível em Biblioteca Digital Paulo Freire, junto com outros materiais para consulta.

Prêmio CBN de Jornalismo

A rádio CBN abriu inscrições para o Prêmio CBN de Jornalismo Universitário. Para participar, o candidato deve produzir uma reportagem de rádio sobre um dos seguintes os temas: meio ambiente, diversidade cultural ou inclusão social. A matéria deve ter de 1 minuto e meio a 4 minutos de duração, em arquivo MP3.

As inscrições podem ser feitas pela internet até o dia 30 de junho ou pelos Correios até o dia 20 de junho. São aceitos trabalhos individuais ou em grupo de até cinco alunos.

Serão premiados os três primeiros colocados, que terão as reportagens veiculadas na programação da rádio. O primeiro colocado fará uma visita supervisionada e com despesas pagas à rádio CBN em São Paulo. O resultado será divulgado dia 1º de outubro (via Comunique-se).

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Pra que servem os jornais?

Uma das vantagens da sala de aula é discutir problemas e teorias, traçar prognósticos e pensar coisas novas para o mercado, o que não acontece quando estamos atolados de trabalho nas redações. O caderno especial do Estadão de hoje, Origem/Destino, sobre o transporte urbano, bem como seu complemento no portal Estadão.com, com gráficos e mapas, me parece ser um exemplo de como atender uma demanda por um jornalismo de qualidade, contextual e, por que não?, social, que se contrapõe aos "empacotadores" de informação da web e repórteres "twitteiros" (se contrapor não significa que um seja melhor que o outro; cada um atende a uma necessidade do público). Também me parece ser um dos caminhos para se valorizar o impresso. Transporte é um dos problemas mais graves nas grandes cidades, por isso é importante debater alternativas. Como seu jornal vem trabalhando essa pauta?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

London's burning! (2)

O uso de recursos multimídia e mídias sociais, tanto pela imprensa quanto pelo governo e manifestantes, é show à parte na Cúpula dos G20. Os principais jornais britânicos fizeram especiais de cobertura -- Guardian, Telegraph, Times -- em que empregam, além de textos, fotos, vídeos, mapas, blogs e microblogs. O destaque é para a cobertura via Twiter, adotada pelos três.

Tudo indica que, mais uma vez, os protestos são a grande atração do encontro. No post anterior comentei sobre as fotos do Guardian, mas este vídeo dá bem melhor o clima das ruas: percebe-se que tem de tudo -- ativistas, festeiros, poetas, bêbados, estudantes, vândalos e vagabundos. Uma festa ao som de Beatles e Bob Marley. E muita porrada, também.

Das ruas ao ciberespaço
O Telegrah publicou uma matéria sobre o uso de redes sociais -- Flickr, Audioboo, GoogleMaps, Facebook, etc. -- e tecnologia móvel como novas plataformas de protestos. Para driblar a vigilância policial, alguns grupos usam a tática dos flash mobs: eles combinam atos "instantâneos" por meio de mensagens de texto enviadas por celular.

Além da mobilização social, o Twitter foi eleito o meio de comunicação de grupos como o Put People First (na figura do super-herói MegaMouth), que organizou uma marcha em Londres no último final de semana, e o G20 Meltdown. Isso obrigou a polícia inglesa a criar uma espécie de central de monitoramento de mídias sociais.

Mamãe, cadê o meu corturno!

Foto: Felipe Trueba/EPA.

London's burning!

A melhor cobertura do G20 está nos jornais londrinos, afinal, acontece em casa. Mas para fotógrafos, a real cobertura não está na cúpula, mas nas estreitas e antigas ruas da capital britânica, tomada por punks, ambientalistas, anarquistas, comunistas, conspiracionistas, dadaístas, trotskistas, islâmicos, maoístas, skinheads... Todos os malucos do mundos, uni-vos!
O Guardian, por exemplo, tem uma coleção de fotos incríveis do primeiro dia de manifestações. Até nosso amigo Guy Fawkes, o V, apareceu por lá.

Créditos das fotos: (1) Andrew Winning/Reuters; (2) Tony Kyriacou/Rex Features.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

STF: votação adiada para dia 15

O julgamento da constitucionalidade da Lei de Imprensa e do diploma em jornalismo foi adiado no STF (Supremo Tribunal Federal) para o próximo dia 15 (leia matérias na Folha, Estadão e Globo ). Não foi, no entanto, um dia perdido para o debate. A Folha, por exemplo, defendeu em editorial o fim do diploma e a manutenção dos demais itens da Lei da Imprensa que não foram revogados, além de dar chamada na FolhaOnline para a postagem no blog de Ana Estela, Novo em Folha, contra o diploma (vale a pena conferir). O Portal Imprensa abriu fórum e email para que os leitores opinassem sobre o assunto. Blogueiros marcaram posição. Vamos ver o que vem por aí...

Dia D

O STF julga hoje às 14h o RE (Recurso Extraordinário) 511961, sobre a constitucionalidade ou não do Decreto-Lei 972/69 que tornou obrigatório a formação superior específica e o registro na Delegacia Regional do Trabalho para a prática do jornalismo no país.

Argumenta-se que a lei fere os artigos 5º e 220 da Constituição Federal de 1988, que garantem a livre expressão, independente de censura ou licença.

A importância da votação foi bem explicada por Elias Machado:
Qualquer que seja o pronunciamento final do STF, a decisão será histórica e provocará profundas consequências na organização da imprensa no país, na consolidação dos jornalistas como uma categoria profissional, no modelo adotado no ensino superior para a formação de jornalistas e, acima de tudo, na qualidade das informações a que terão acesso todos os cidadãos.
Já o colega Rogério Christofoletti resumiu o que pode acontecer.

Defesa
A discussão opõe mercado (contra o diploma), sindicatos e academias (a favor). O RP defende o diploma: eliminar a exigência significa um retrocesso ao jornalismo brasileiro, principalmente fora dos grandes centros. O que precisamos é melhorar a qualidade dos cursos.

A votação no STF pode ser acompanhada online pela Rádio e TV Justiça. Também está em pauta a lei da imprensa.