Volto em agosto.Foto: Flickr.
A solução metonímica da Veja não lembra outra vista por aqui? Pois é. Deu no Extra, do Rio. O caso é que, do mesmo modo como ocorreu na tragédia do voo da Air France, com a capa do Diário de S. Paulo, coube aos populares fugir do óbvio, da manchete com data de validade vencida (chamem o Procon!). Coincidência?
Já virou clichê dizer que os impressos precisam investir em contexto, interpretação, investigação, bla-bla-bla... right? O que suponho, além disso, e tomando como exemplo os populares, é um corte mais ousado no terno. Sem perder o vínculo com o fato, explorar recursos estilísticos e estéticos próprios do campo da arte.
No reinado de Michael Jackson, as pessoas seguiam as mídias. Na era pós-MJ, são as mídias que seguem as pessoas. A inteligência coletiva nos ensinou lições e tanto nestas últimas semanas. De como uma ditadura pode ser corroída nas entranhas em uma dimensão incrivelmente maior e mais eficiente do que aquelas proporcionadas pelo fax no regime stalinista ou pelos "nanicos" no império dos generais no Brasil. De como o hardnews deixou de ser praia exclusiva para os veículos tradicionais.
Nos caps 3 e 4 de Vida de Escritor, Gay Talese descreve seu método antiquado, pouco produtivo mas eficiente de trabalho. Consiste em burilar frases e parágrafos em um bloco de notas de folhas amarelas pautadas e depois datilografar, para correções intermináveis. (Borges dizia que publicava seus livros para dar cabo desse transtorno.)(...) é importante reconhecer que durante os quarenta anos de minha carreira como escritor-pesquisador eu investi pesadamente na perda de tempo." (p. 59).
O assessor de imprensa ideal deve funcionar como uma extensão da redação, atendendo o jornalista sempre que este precisar. Para tanto, ele precisa conhecer o dia-a-dia dos veículos e saber, por exemplo, qual o melhor dia e horário para enviar uma sugestão de pauta. O assessor deve também passar as informações completas e corretas, pois o jornalista não tem muito tempo para checá-las. E por fim: não deve enviar jabás aos colegas de redação, não deve insistir na publicação de notícias e não deve recorrer à malandragem, ou seja, mentir para conseguir um espaço no jornal.
A questão do diploma, afinal de contas, não é tão importante assim. A comoção provocada na rede com a decisão do STF oculta uma discussão mais fundamental, sobre a revisão do currículo universitário. Os protestos de entidades de classe, de caráter puramente corporativista, se antes pautavam algum debate, hoje, após a decisão, assumem a condição de um simulacro baudrillardiano.
Registro de mais um exemplo de mobilização política de massas pelo uso de mídias sociais, nos protestos que tomaram conta de Teerã blogs, Facebook e Twitter são os coquetéis molotov da geração pós-tudo -- leiam Redes sociais alastram rebeldia online (em inglês), no NYT.