Aconteceram algumas coisas interessantes no jornalismo nas duas últimas semanas. Primeiro, um vídeo amador ganhou um prêmio importante no jornalismo americano, o George Polk Awards. Trata-se de um vídeo anônimo (ver acima) que mostra a morte de uma iraniana durante os protestos que abalaram o país em 2009, e que se tornou talvez uma das peças de jornalismo político mais importantes do ano. Produzida no estilo jornalismo cidadão (ver também matéria do Observatório).
Depois, um tablóide de reputação duvidosa entre a imprensa americana, o The National Enquirer, teve a indicação para o Pulitzer aceita por uma reportagem investigativa que deixou o establishment do jornalismo americano a ver navios.
Cyborgs
E, por último, o AOL anunciou sua polêmica "redação do futuro" composta por robôs. O software faz o trabalho do pauteiro, procurando matérias na rede, depois seleciona repórteres num banco de 3.000 freelas do AOL, pauta os caras (!) e ainda cuida da publicidade (leiam crítica de Carlos Castilho no Observatório).
Para Jeff Bercovici, em artigo publicado na New York Observer desta semana, o jornalismo deixa de ser profissão para ser uma atividade. Ou seja, ele deixou, há muito tempo, de ser prática exclusiva dos meios de comunicação mais tradicionais - que, na verdade, só têm a se beneficiar com isso. O outro lado, como ele diz, é a velha questão de como subsidiar profissionais que produzam material de qualidade num mercado que se pauta por baixos custos e distribuição gratuita.
Pessoalmente, como já disse anteriormente, acredito que o trabalho do jornalista profissional só tende a se valorizar, na medida em que cresce a demanda por informação contextualizada e com credibilidade.
Smartphones
São também cada vez mais comuns cursos como esse oferecido pelo Poynter de produção de notícias em dispositivos móveis avançados. O curso ensina a fazer matérias com smartphones, inclusive vídeos transmitidos ao vivo pela internet.
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Enquanto isso, no Brasil, sindicatos insistem na chatíssima, inócua e ridícula questão do diploma, que já foi decidida pelo STF (com bem aponta Alec Duarte nesse post).Trágicos trópicos.




Um comentário:
De jornalismo, entendo quase nada. Mas me chamou a atenção essa ideia da AOL, porque me lembrou um recurso do sistema financeiro de empregar robôs.
Computadores (os "robôs") compravam e vendiam ações, escolhiam sozinhos, se baseando em caminhões de informações (q só eles podem armazenar) e na sua força de processamento (q só eles têm).
Resultado: crise econômica em 2008. E muitos botaram boa parte da culpa nesses computadores, justamente por eles serem máquinas e não terem a noção da realidade.
Enfim, vamos ver o q vai dar esse negócio da AOL.
AT+!
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