quarta-feira, 31 de março de 2010

O que dizem as estatísticas de crimes

No século 19, Adolphe Quetelet ficou famoso ao aplicar métodos estatísticos e teoria da probabilidade em ciências sociais. Em um de seus primeiros estudos, ele analisou dados de crimes na França de 1826 a 1831 e verificou que as taxas eram mais ou menos constantes. Concluiu que, apesar de não sabermos quem vai ser morto nem como, era possível saber quantos homicídios de determinados tipos ocorreriam por ano no país. Segundo ele:
A própria sociedade contém os germes dos crimes cometidos. É o estado social, em alguma medida, que prepara esses crimes, e o criminoso é apenas o instrumento para executá-los.
Uma série temporal maior de análise de dados criminais nos permitem, hoje, verificar o "tributo de sangue" que a sociedade paga e quem o paga: jovens, pretos e pobres. A divulgação ontem do Mapa da Violência 2010: anatomia dos homicídios no Brasil ganhou destaques em portais como Estadão e Folha.

As matérias não trouxeram novidades (não li hoje as versões impressas). Acho que falta ainda uma postura mais crítica e um maior contexto no tratamento destes dados por parte da imprensa, não obstante, como já disse por aqui, a nítida evolução do jornalismo "policial".

Uma conclusão do estudo que virou notícia parece confirmar o determinismo de Quetelet: o índice de homicídios permanece quase inalterado de 1997 a 2007. Seria interessante aqui comparar com o aumento de investimentos e aparelhamento das forças de segurança nesse período. Tem alguma conta aí que não vai bater...

A pista pode estar na distribuição dos recursos, afinal, a segunda conclusão, derivada da primeira, é que houve aumento de crimes no interior e queda nas capitais, num fenômeno que os especialistas chamaram de "interiorização da violência". Daí o equilíbrio.

Isso pode parecer algo novo e alarmante, mas não é. Escuto essa explicação desde o final dos anos 1990, quando ainda estava na redação. Infelizmente, só achei uma referência disso num caderno especial que fizemos em 2003. Podem conferir que está lá: "interiorização da violência".

O perfil das vítimas também não apresentou qualquer novidade, com exceção, talvez, da distinção entre negros e brancos (mas o que isso quer dizer realmente?).

Problema do estudo? Não. Acho que a partir dele podem surgir boas reportagens, checando in loco a infraestrutura das polícias, por exemplo. Ou (acho mais difícil), poderíamos ter posturas mais ousadas nos editoriais, como a defesa da descriminalização ou mesmo legalização das drogas.

Podemos ir além de Quetelet.

terça-feira, 30 de março de 2010

A mulher do chuveiro

Dublê de corpo e serial killer são protagonistas da história sobre uma das mais famosas cenas do cinema: a morte no chuveiro em Psicose (1960), de Alfred Hitchcok. A atriz Janet Leigh e o diretor juravam que não havia dublê na cena. Mentira. O corpo era de uma stripper que trampava em Las Vegas chamada Marli Renfro, capa da Playboy de setembro daquele ano (foto).

Após o filme, a moça desapareceu. Descobriram em 2001 que ela havia sido morta por um serial killer em 1988. Preso, confessou ter assassinado a mulher do chuveiro.

Robert Graysmith, autor de Zodiaco, foi atrás da história. No livro que acaba de publicar, revela que Renfro está viva (o assassino, na verdade, a confundiu com uma assistente do filme). Ela desistiu da carreira por conta do marido ciumento. Atualmente, vive no deserto do Mojave, na Califórnia. Sequer sabia do precoce obituário.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Pensar é estar doente dos olhos

Quando essa foto foi publicada semana passada, acompanhada de uma legenda vaga que não amarrava o sentido ao objeto, os leitores ficaram comovidos. No contexto de uma batalha entre PMs e professores grevistas, a imagem mostrava uma policial militar (supunha-se mulher pelos braços lisos, estatura e mãos pequenas e calças justas), indefesa, carregada por um manifestante em meio ao caos. Inversão de papéis. Amores proibidos. Sabe-se lá qual estranha narrativa provocou na cabeça dos leitores.

Associei imediatamente a um gesto de amparo, materno, imortalizado por Michelangelo em sua notória Pietá, e a releitura na fotografia vencedora do Pulitzer de 1996, de Charles H. Potter IV, que mostrava um bombeiro com um bebê no colo, ambos cobertos com as cinzas do atentado de Oklahoma.

Quando Clayton de Souza fez a foto da greve, provavelmente não tinha um repórter com bloco e caneta por perto para registrar a história dos personagens. Depois descobriu-se que a trama era mais banal do que se supunha: tratava-se de um PM do serviço reservado, o P2, se não me falha a memória, socorrendo uma colega (falando nisso, qual a função desse serviço secreto da PM?).

Ilusões

A mensagem denotativa é aquilo que vemos - um homem carregando uma mulher fardada numa paisagem esfumaçada; a mensagem conotativa compõe-se de interpretações a cargo do leitor. Como o jornalismo é uma prática factual, não ficcional, usamos a legenda para conter a viagem nas entrelinhas.


Essa outra foto famosa, vencedora do Word Press Photo do ano de 2006, mostra um grupo de jovens bonitos, num carrão vermelho, observando com curiosidade e um tanto de asco os escombros de um bairro atacado em Beirute. Mensagem conotativa: "turismo de guerra". Mais tarde, ficamos sabendo que o carrão não era tão "carrão" assim e que os jovens eram moradores locais a procura de parentes no quarteirão bombardeado. Não tinham culpa de serem bonitos.

A fábula é sempre mais interessante que a realidade, pobre e ordinária.

Foto1: Clayton de Souza/AE.
Foto 2: Spencer Platt, USA, Getty Images.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Backstage

Fechamos a semana com o registro desta matéria feita pela Ana Estela no Novo em Folha com os bastidores da cobertura do caso Isabella. Os vídeos trazem depoimentos da difícil rotina dos repórteres que cobrem o julgamento.

Interessante como o fato provocou um 'apagão' de recursos eletrônicos e digitais: a única imagem vem dos ilustradores e, dentro da sala do júri, só entra o velho bloquinho e caneta. Com a correria para alimentar sites, blogs e fazer chamadas ao vivo, as equipes precisam de dividir e assistir o julgamento em partes. Depois montam o puzzle na redação.

O material ressalta a importância da organização e do trabalho em equipe.

Foto: Flickr.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Isto não é uma pintura

A edição interativa da National Geographic, especial sobre o Dia Mundial da Água, é de estuporar a retina. A publicação abusa no trabalho de design e fotojornalismo. Disponível também para download gratuito em PDF.

Foto: rio Kolgrima, na Islândia (Hans Strand © National Geographic).

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ficção, não ficção e as fronteiras

A historiadora Juliet Gardiner publicou este curto artigo no The Guardian sobre algumas semelhanças e diferenças entre textos de ficção e não ficção. Ela relata algumas vantagens dos escritores que trabalham, prioritariamente, com o material da realidade, como p.e., não sofrer tanto com a "síndrome da bola de papel amassada" e, na ausência de um bom resultado estético, ao menos oferecer informações ao leitor. Uma desvantagem é o prazo menor de validade do produto que presta contas ao referente (mas nem sempre é assim).

Uma coisa que é válida tanto para um quanto para outro tipo de texto é a elegância e precisão com as palavras. Juliet, para isso, recomenda:
  • Evite pontos de exclamação e clichês como se fossem - e são - pragas; [o lugar-comum é sem dúvida uma das maiores no jornalismo]
  • Usar advérbios como se fossem racionados.
  • Lembre-se: na vida real as pessoas dizem coisas, discutem ou, ocasionalmente, insistem. Elas não proclamam, declaram, refletem ou 'desabafam'. [se não sabe fazer risoto de camarão, não invente. Fique no arroz com feijão: 'disse', 'afirmou'.]
O jornal publicou também essas divertidíssimas 10 Regras Para Escrever Ficção, em duas partes, que trazem algumas dicas valiosas para o jornalismo.

O horror
Somos feitos de ossos, músculos, mingau eletroquímico E narrativa. Por isso o caso Isabella, com seus elementos de fábula, atrai o público. Como se fosse um experimento dos formalistas russos, estão lá os heróis e vilões, a princesinha e a madrasta, ao passo que o leitor fica na expectativa de uma conclusão, um final. Atender a essa audiência sem perder o foco no objeto real, sem entrar na trama, é uma dificuldade para os profissionais, ainda mais para aqueles que trabalham em TVs comerciais.

Li há muito tempo uma frase num dos livros do Henry Miller que me ajudou em algumas coisas, e acho que se aplica aqui também: "Não acrescente uma insânia à outra; não acrescente sua própria loucura ao mal que está por vir."

segunda-feira, 22 de março de 2010

A importância do fotojornalismo

Na infância da TV, o fotojornalismo era o mais importante registro e forma de narrativa visuais da história, e ajudou a formar uma opinião pública a respeito de assuntos como guerra e direitos civis. Neste artigo para o NYT, Hank Klibanoff questiona a importância do fotojornalismo hoje, com a proliferação de celulares, câmeras e videos que possibilitam a qualquer pessoa reportar os fatos.

Foto: Martin Luther King Jr. detido pela polícia de Montgomery, Alabama, em 1958. Por Charles Moore.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Manual de jornalismo online

A Society of Professional Journalists publicou o Manual de Mídia Digital (em inglês), disponível para donwload gratuito. O e-book trata de assuntos atuais, como o uso de redes sociais, Twitter, Google Wave, mapas interativos, recursos multimídia e redes móveis 3G. Uma excelente dica do Jornalistas da Web.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Web's first!

Matéria de hoje do EditorsWeblog.org oferece uma amostra da estratégia de empresas como CNN e NYT para investimentos em novas tecnologias e serviços móveis (e-readers, iPad, iPhones, tablets... a lista e grande), além de integração com redes sociais.

Achei interessante o presidente da CNN, Jonathan Klein, dizer que está mais preocupado com os 500 milhões de usuários do Facebook do que com a audiência de dois milhões da Fox, sua principal concorrente.

Uma visita de caráter antropológico a uma lan house qualquer é suficiente para se ter uma ideia de que o comportamento do público brasileiro não é tão diverso assim do americano. Tanto que as reformulações do Estadão e (em breve) da Folha apontam para um horizonte de convergência. O produto "notícia" é cada dia mais complexo na via de mão dupla da internet.

Foto: Flickr.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Curso gratuito de RAC

O Centro Knight abriu seleção para o curso online de Introdução à Reportagem com Auxílio do Computador (RAC), que será ministrado por José Roberto de Toledo no período de 12 de abril a 9 de maio. As inscrições podem ser feitas até 28 de março.

Outros:

terça-feira, 16 de março de 2010

Check-up

The State of The News Media 2010, o mais completo relatório sobre o jornalismo americano, foi publicado ontem. O estudo traça o panorama atual e tendências dos meios de comunicação nos Estados Unidos. O resumo é mais ou menos o seguinte: novas e velhas mídias têm um futuro em comum, tanto como atividade quanto como negócio. Apesar do jornalismo tradicional, com seus ritos e princípios próprios, ser menor diante do oceano de informações da web, ele ainda pauta os debates na esfera pública. Por outro lado, o público online mostra-se bem diverso, por exemplo, do leitor de jornal, o que afeta cada vez mais o enfoque e a rotina de produção nas redações. Nessa história toda, o jornalismo investigativo se tornará um luxo, bancado por uma elite, fundações ou universidades?

segunda-feira, 15 de março de 2010

Status quo

Conceitos são como fôrmas. Não adianta querer enfiar uma peça quadrada num buraco redondo. O projeto de reforma do Estadão é um exemplo de como um bom conceito funciona.

No começo dos anos 1990, Pierre Lévy foi feliz em falar de inteligência coletiva para descrever o modo como a internet alterava modos de conhecimento e sociabilidade. Na época, Lévy contrastava com pensadores apocalípticos que pensavam em dualismos e realidades antagônicas, como real e virtual.

Alguns anos atrás, pesquisadores começaram a usar o termo convergência para superar falsas questões que opunham meios de comunicação tradicionais e novas tecnologias. Pegou. Henry Jenkins foi atrás da ideia e lançou Cultura da Convergência.

Em jornalismo, convergência é o que o Estadão está fazendo: jornal como produto híbrido (impresso/ digital); redações integradas; notícia produzida e distribuída em múltiplas plataformas; abertura para redes sociais; análise e contexto no impresso, hard news no online; e etc. Temos falado dessas coisas há pelo menos dois anos. Hoje parece casuísmo, mas colocar isso em prática dá muito trabalho.

É a escola do titio McLuhan.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Sexta de letras

Dois projetos de e-books lançados esta semana devem facilitar a vida de pesquisadores e universitários no país. O Portal E-Books integra parte das bibliotecas da USP, Unesp e Unicamp, com um acervo de 188 mil livros eletrônicos que podem ser parcialmente copiados. O acesso doméstico é restrito a pesquisadores das universidades, mas qualquer um pode consultar os terminais cadastrados.

A Unesp inaugurou o Programa de Publicações Digitais da Pós, disponibilizando 44 títulos para download gratuito. Para baixar, basta preencher um formulário. A iniciativa facilita também a publicação de trabalhos acadêmicos.

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O Estadão estreia amanhã um novo caderno literário, o Sabático - Um tempo para leitura, como parte do projeto de renovação do site e jornal. A conferir.

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O site Submarino está com uma promoção de livros a R$ 9,90 (sem contar o frete). Tem coleção do Tolkien, Descartes, Voltaire, J.P. Vernant e Schopenhauer, entre outros.

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Resenha nova de James Wood na The New Yorker desta semana (em inglês). Gosto do Wood porque, além de escrever muito bem, ele tem repertório que permite contextualizar e dar uma perspectiva mais ampla das obras que analisa. Nessa resenha, por exemplo, sobre Chang-Rae Lee (inédito no Brasil) ele começa o texto questionando o progresso na literatura. Para imprimir e ler no sofá.

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Cia das Letras lança livro póstumo do Perec!!!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Jornalismo visual

Vinte e um (bons) exemplos de infográficos, mapas interativos e narrativas multimídias em flash para se usar em sala de aula ou na redação. Incluindo essa reconstrução da BBC do assassinato de Jean Charles no metrô londrino.

A BBC fez também um belo trabalho com Superpower - exploring the extraordinary power of the internet. Destaque para essa exposição didática de como funciona a rede, o mapa da web e integração com outras plataformas. Ainda não vi tudo, mas pra que servem as madrugadas?

quarta-feira, 10 de março de 2010

Indignação!

Duas coisas são indispensáveis aos jornalistas: conduta ética e capacidade de se indignar. Sem isso não vale a pena, é melhor mudar de profissão e ser feliz.

Mario Vargas Llosa publicou um artigo "indignado" no último domingo. Foi direto ao ponto: a completa falta de declarados valores democráticos do presidente Lula.

Dois fatos recentes representam bem isso: o apoio ao regime ditatorial de Cuba, herança execrável do século 20, e os ataques à imprensa que "fala mal" do governo (e de que serve uma imprensa conivente e servil?).

O pior é quando o presidente tenta justificar isso com um discurso ideológico sem qualquer aderência aos fatos, por meio do qual expressa total desprezo pela chamada "democracia burguesa".

A realidade mostra que, em política, não existe caminho fácil nem qualquer garantia de sucesso. Apenas insistentes tentativas.

Os iraquianos votando debaixo de bombas e os iranianos enfrentando aiatolás fazem isso num ambiente completamente hostil a tradições ocidentais. Na América Latina, a democracia é uma conquista recente e muito instável, prontamente descartada ora por oligarcas, ora por bolivarianos.

Somente por serem algo raríssimo no mundo, razão, democracia e liberdade deveriam ser bens protegidos. Não empunhados num estandarte de fogo, como fez a cruzada de G.W. Bush. Mas lapidados com paciência e observância. Pode não nos tornar melhores, mas seu avesso é bem pior.

Logorama



Curta sobre logomarcas ganhador do Oscar. Muito bem feito (via AdNews).

terça-feira, 9 de março de 2010

Por que Nova York tem tantos super-heróis?

O Homem-Aranha provavelmente não teria sucesso fora da Avenida Paulista, sem arranha-céus para se balançar com a teia. E o que seria do Demolidor, sem os mastros de bandeira para dar suas piruetas? A história do Superman com certeza seria diferente se ele tivesse orelhões da Telesp ao invés das cabines telefônicas para vestir a cueca por cima da calça. E já imaginou o Batman, vestindo colant preto, perseguindo bandidos numa praia carioca? A arquitetura faz o herói.

Cool!

Quem nunca usou uma camiseta da banda favorita? Ripped: t-shirts from the underground conta a história visual do pós-punk, com o catálogo da coleção de 200 peças raras de Cesar Padilla. Ele é dono de um "brechó" no West Village e cresceu curtindo rock nos anos 70 e 80, na Califórnia.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres feridas

Quarenta e oito mulheres vítimas de violência doméstica se expuseram às lentes da fotógrafa francesa Catherine Cabrol para o projeto Blessures de Femmes. Confiram algumas imagens no Libération de hoje.

Como água e óleo

Pegou mal a venda da capa do The Los Angeles Times da última sexta-feira por US$ 700 mil à Disney, e não foi a primeira vez que o jornal fez isso. Escondendo matérias sérias e importantes nos Estados Unidos, como a guerra no Iraque e o plano de sáude universal de Obama, estava Johnny Depp de Chapeleiro Louco, promovendo a nova versão de Alice nos cinemas (ver reprodução acima). Editores da publicação se mostraram constrangidos com a decisão do setor executivo.

A polêmica é velha. Na ânsia de tirar as contas do vermelho, a indústria do impresso corre o risco de vender o que tem de mais precioso: a credibilidade. Até os tradicionais The New York Times e o The Wall Street Journal estenderam os limites da publicidade em suas capas, coisa inconcebível até poucos anos atrás.

Brasil
A prática tem histórico no Brasil. Na edição dominical de 12 de outubro de 2008, Folha, Estadão e Globo estamparam uma capa fake com publicidade do Banco do Brasil. O ombudsman da Folha na época, Carlos Eduardo Lins da Silva, reclamou:
Ao permitir que o espaço mais nobre do produto fosse totalmente ocupado por um anúncio que, além do mais, tentava se parecer com notícia, o jornal abriu brecha para ver seu prestígio corroer-se diante do público (...)

A logomarca do jornal é sagrada, não pode ser tomada emprestada para promover nenhuma propaganda. O preço a pagar depois pode ser muito maior do que o recebido do anunciante agora.
Falou e disse.

sexta-feira, 5 de março de 2010

work in progress

Com Terras baixas, de Joseph O'Neill, a cidade de Nova York ganhou um de seus cronistas mais atentos à diversidade cultural das ruas, e os Estados Unidos, o romance que melhor define o Zeitgeist pós-11 de Setembro (...)
Mais uma resenha, na nova edição do Rascunho, que acaba de sair. Lendo Desilusões de um Americano, de Siri Hustvedt, entre outras coisas. Esperamos melhorar com o treino...

Bom fds a todos.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Qual a tendência política do seu jornal?

Os professores da Universidade de Chicago Matthew Gentzkow e Jesse Shapiro publicaram o estudo What Drives Media Slant? Evidence from U.S. Daily Newspapers (disponível em PDF) sobre as tendências ideológicas dos jornais americanos (dica de Paul Bradshaw).

A pesquisa seguiu dois passos: primeiro, coletaram o número de frases mais comuns usadas por democratas e republicanos em pronunciamentos no Congresso americano (republicanos dizem "guerra ao terror"; democratas, "guerra no Iraque", p.e.). Em seguida, mediram a frequência com que apareciam na cobertura política dos jornais e tabularam tudo. Puderam concluir, assim, que o Washington Times é o mais conservador e o Atlanta Constitution, o mais liberal.

Não seria provocante fazer o mesmo com jornais e revistas brasileiros, nesse ano eleitoral?

Meretíssimos
A ONG Transparência Brasil lançou hoje o projeto Meritíssimos, uma base de dados de indicadores de qualidade do Poder Judiciário. Os gráficos disponibilizados mostram o tempo de resolução de processos no Supremo Tribunal Federal (STF). O projeto ainda é piloto, mas preenche uma lacuna na fiscalização do judiciário brasileiro.

Especial sobre eleições iraquianas

Muito bem feito este especial multimídia da Associated Press sobre as eleições parlamentares do Iraque, que ocorrem no próximo dia 7. São eleições determinantes para o fim da ocupação americana no país.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Comece uma biblioteca

Não precisa ser uma de milhares de volumes, como a de José Mindlin, mas uma estante ou duas será suficiente para turvar sua visão de mundo. Uma oportunidade para fazer isso é a coleção de clássicos que a Abril está lançando, a R$ 14,90 cada.

Aftermath via Google

Difícil imaginar como seria hoje uma cobertura jornalística de tragédias sem recursos do Google, que também ajudam as pessoas em busca de informações. Além de notícias atualizadas e mapa, a tragédia no Chile trouxe o Chile Person Finder, que possibilita a busca de desaparecidos no terremoto.

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O e-periodistas registrou outras ferramentas da web, inclusive redes sociais; o Innovations in Newspapers listou a cobertura de alguns jornais no mundo.

Foto: REUTERS/Jose Luis Saavedra, via Boston.com.