A própria sociedade contém os germes dos crimes cometidos. É o estado social, em alguma medida, que prepara esses crimes, e o criminoso é apenas o instrumento para executá-los.Uma série temporal maior de análise de dados criminais nos permitem, hoje, verificar o "tributo de sangue" que a sociedade paga e quem o paga: jovens, pretos e pobres. A divulgação ontem do Mapa da Violência 2010: anatomia dos homicídios no Brasil ganhou destaques em portais como Estadão e Folha.
As matérias não trouxeram novidades (não li hoje as versões impressas). Acho que falta ainda uma postura mais crítica e um maior contexto no tratamento destes dados por parte da imprensa, não obstante, como já disse por aqui, a nítida evolução do jornalismo "policial".
Uma conclusão do estudo que virou notícia parece confirmar o determinismo de Quetelet: o índice de homicídios permanece quase inalterado de 1997 a 2007. Seria interessante aqui comparar com o aumento de investimentos e aparelhamento das forças de segurança nesse período. Tem alguma conta aí que não vai bater...
A pista pode estar na distribuição dos recursos, afinal, a segunda conclusão, derivada da primeira, é que houve aumento de crimes no interior e queda nas capitais, num fenômeno que os especialistas chamaram de "interiorização da violência". Daí o equilíbrio.
Isso pode parecer algo novo e alarmante, mas não é. Escuto essa explicação desde o final dos anos 1990, quando ainda estava na redação. Infelizmente, só achei uma referência disso num caderno especial que fizemos em 2003. Podem conferir que está lá: "interiorização da violência".
O perfil das vítimas também não apresentou qualquer novidade, com exceção, talvez, da distinção entre negros e brancos (mas o que isso quer dizer realmente?).
Problema do estudo? Não. Acho que a partir dele podem surgir boas reportagens, checando in loco a infraestrutura das polícias, por exemplo. Ou (acho mais difícil), poderíamos ter posturas mais ousadas nos editoriais, como a defesa da descriminalização ou mesmo legalização das drogas.
Podemos ir além de Quetelet.





















